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terça-feira, 7 de julho de 2026

Trevas na Terra de Santa Cruz

 Um Dia é da Caça Outro do Caçador

Era de noite e a lua brilhava no céu e um homem resmungava enquanto retirava sua camisa suada e ele a torcia nó após nó reclamando.

- Nunca gostei da caatinga a noite - Falava para si mesmo enquanto jogava a camisa no chão irritado - Mas pelo menos fico sossegado, o povo fala de onça, cobra, de cangaceiro morto andando pelas trilhas então ninguém vem aqui - falava tentando se consolar enquanto agarrava um litro de pinga entornando na goela, recuando após um longo gole pelo ardor da bebida.

Aquele era Leandro, peão da fazenda de Ismael um granjeiro que começava a ter problemas com a manutenção de sua propriedade, Leandro era irritado e odiava o patrão, talvez fizesse algo contra ele aquela noite não fosse a interferência.

A fogueira ao lado de Leandro fazia as sombras do mandacaru dançarem de maneira sinistra o que dificultou o peão de ver o homem. Uma figura tanto sinistra quanto patética que andava sem direção, tropeçando em pedras, ele parecia fascinado olhando para cima, para os lados, para traz como se esperasse ver algo e sorrindo de maneira não natural enquanto seus pés erravam cada passo que dava, vestia roupas pesadas de viajante, desses que vieram de longe mesmo, roupas que Leandro não reconhecia. Apesar do comportamento sinistro do homem Leandro não parecia teme-lo. Talvez por efeito da bebida.

Leandro assobia alto chamando atenção do estranho e jogava a garrafa na direção dele - Vai embora ... se sabe o que é melhor pra você - Ameaçava ele, a garrafa atingia diretamente a cabeça do homem que caia no chão e se erguia poucos segundos depois, mais se erguia como um veado, com poucos trotes já era um cachorro e com mais poucos passos era um homem de novo que se aproximava de Leandro, o rosto do estranho, uma mascara de alegria que mau imitava um homem.

Ele se aproximava como alguém que se aproxima de uma pressa cansada demais para fugir e a mandíbula que era grande demais para uma cabeça humana começava a se mover - Aqui.... porque eu deveria ir embora daqui? - Ele se movia em volta de Leo, como que curioso como aquele homem não fugiu ainda, enquanto andava em volta do alvo os ossos do monstro estalavam, sua pele escorria e voltava ao lugar como se não pudesse se decidir o que era - Eles nunca iram me procurar aqui sabe? ... Nessa terra estranha... Os espíritos são outros, nenhum conhece meu nome, aqui eles cantam cânticos de madeira branca, ninguém conhece as montanhas vermelhas... - ele se voltava para o homem cravando garras no ombro de Leon que gritava de dor recuando para traz , caindo no chão e segurando o ombro que sangrava - Aqui os velhos xamãs nunca me acharam, pensaram que eu morri... Aqui sou livre.

Leon rastejava agora se afastando do homem que parecia se divertir o machucando, as vezes garras cortavam as costas do peão, as vezes chifres perfuravam o corpo dele. O estranho ria, animado com um novo assassinato, animado com o terror , animado com saborear o medo mais do peão não vinha medo, não tinha o doce terror só o sabor salgado da raiva e tudo aconteceu muito rápido, Leon se erguera coberto com o próprio sangue e arrancou o ombro do monstro transmorfo, o estrangeiro agora caia para traz enquanto Leon já não era mais o mesmo, cuspindo um pedaço grande de carne e osso que eram o ombro do primeiro monstro o bêbado de antes parecia ficar mais e mais alto, seu corpo mais e mais negro e deformado com pernas longas demais, braços longos demais, a boca deformada que mau conseguia pronunciar palavras dizia com dificuldade - você devia ter ido embora.

Na manha seguinte quando acharam apenas ossos destruídos e carne estraçalhada por todo o caminho das cabras todo mundo sabia, o lobisomem tinha matado novamente, só ninguém sabia quem ou o que tinha morrido.

O monstro que atravessou o mar
para fugir daquilo que o caçava
esqueceu que todo lugar
tem seus próprios monstros


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Monstro Epico

 Curupira

A chuva era constante naquele local, era noite, a caminhada não chegava a ser tão incomoda assim, mais o calor e a humidade deixava o restante tenso, fui contratado para ajudar um padre chamado Elias para sair dessas paragens e chegar em um porto no rio onde iria para algum lugar que ignoro agora e de lá para São Paulo, Bico Torto, o outro homem além do padre que andava conosco cujo o nome verdadeiro era Antônio mais ninguém o chamava assim, reclamava.

— A gente não vai mais sair daqui tá sabendo ne caboclo? 

Eu suspirava entre dentes e dizia enquanto tentava dar um passo a frente — Eu dou meu jeito homem, não preciso de você perdendo o juízo tão cedo.

O padre era contudo o que mais era afetado pela conversa, Bico Torto dizia — cinco dias em uma caminhada de três? já estamos mortos e por sua culpa, porque não quis tomar o caminho das capivaras. Agora estamos nas mãos dele.

Elias fazia o sinal da cruz, nesse momento e contra o que estávamos enfrentando nem ferro nem fé ajudaria, eu logo digo a eles — Vou resolver, vou chamar ele aqui e a gente negocia passagem.

—Tá louco? — Gritou Bico Torto e o padre Elias dizia — Não deve fazer magia aqui. Só vai piorar a situação.

— Eu não sou mago padre... fique quieto se quiser sair daqui vivo, porque se for o que o Bico Torto falou ele ou vai te matar primeiro ou por ultimo e nem queira saber o que vai ser pior - estavam os dois em pânico com o que eu ia fazer, claro, todos tem medo do Curupira.

— Ka'aguy rupi oguata — Gritei alto e as aves pararam de cantar, as cigarras pararam de fazer barulho ate a chuva parecia parecia emudecer — Meu avô arreda o mato pro lado que eu preciso passar — Uma risada fazia todos olharem para traz, no meio da escuridão em cima do galho de uma das arvores um homem pequenino, com olhos e cabelos em chamas ria enquanto nos observava.

—D'onde tu vai meu neto? — Dizia ele com uma voz esganiçada que fazia o padre se encolher e fazer vários sinais da cruz, enquanto Bico Torto engatilhava a arma e eu dizia a ele — Para... você sabe que não vai dar certo — Apesar do que eu falei, minha coragem se equilibrava precária em minhas palavras e minha mão apertava com força o cabo do facão.

— Vou deixar esse padre na cidade, ele vai pra São Paulo, casar moças e rezar missas na cidade. Precisamos passar depressa antes que a lua se afunde no mato.

— É? e o que esta trazendo ai? — Falava a criatura parecendo se divertir com a tensão, ele sabia de sua força, sabia que poderia nos derrubar com um vulgar movimento.

—Trouxe um anel e um pente de ouro — Ele retrucava

— Isso é coisa de homem.... o que mais?

— Trouxe cachaça — Respondia a ele mostrando uma garrafa de agua ardente, o destilado de cana parecia o agradar.

— Deixe ai — dizia sorrindo e eu coloquei a garrafa numa pedra enquanto recuávamos, a viagem transcorreu muito melhor depois daquele encontro e chegamos ao nosso destino antes da noite acabar.


O de Pés Torcidos

As historias sobre o curupira se espalham mesmo longe das florestas onde ele é visto, contos de terror e morte costumam acompanhar os poucos que sobrevivem a seus encontros, as vezes ele some com caçadores, com lenhadores, com crianças ou viajantes, difícil encontrar um padrão em suas vitimas a não ser que todos são humanos. Poucos tendem a crer que ele simplesmente odeia a humanidade, pois ele se mostra aberto a certos que sabem como negociar passagens seguras a custos totalmente ínfimos, tabaco, álcool, instrumentos musicais ou armas de metal. Custo simples para quem quer sair vivo mas alguns acreditam que não é a prenda que detém a fúria do Curupira e sim a forma como ele é abordado.

Sim Todos Tem Medo do Curupira...

...Mas o que move sua ira?

Historias sobre ele ser uma assombração sobrevivente de ataques de lusitanos procuram explicar seu ódio pela humanidade mais antes mesmo dos colonizadores chegarem os diversos povos indígenas já o temiam. Seus poderes são desconhecidos, controle de fogo é o que mais comentam mais ele parece controlar a realidade dentro da floresta, capaz de fechar caminhos, atiçar os animais contra adversários, alguns dizem fazer ate fazer chover para que a caminhada fique mais penosa e o esgotamento chegue mais cedo, o poder da criatura é notável existindo relatos dele sozinho destruindo grupos de mechas mas ele prefere enfrentar adversários esgotados e em pânico seja por estratégia ou sadismo.

A ficha abaixo (obviamente) serve apenas de guia, é indicado usar o curupira apenas como plot device em historias ou você montar sua própria ficha para a criatura.

F5 H8 R6 A5 PdF9 Escala Sugoi

Vantagens:  Ataque especial (Poderoso), Aceleração, Arena (ermos) Poder Oculto, Pms Extras x5, Liberar Poder, Manipulação, Magia Elemental, Magia Negra, Magia Irresistível -3, Imortal.

Desvantagens: nenhuma

Liberar Poder: O curupira gasta apenas 1 turno para usar poder oculto.

Magia Máxima: O Curupira pode realizar magias em seus efeitos ou danos máximos um numero de vezes igual a sua H por cena.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Trevas na Terra de Santa Cruz

 Os Artefatos da Morte


Em suas andanças para buscar as almas dos caídos a morte não apenas vaga pela terra com sua presença, para facilitar seu serviço ela faz uso de artefatos únicos de grande força e habilidades magicas. Mais de uma vez um ou mais de um desses artefatos apareceram no mundo nas mãos de mortais contudo sempre retornam a sua dona de verdade com o tempo, são ligados a morte e nunca ficam longe dela para sempre, os artefatos da morte são estranhos para alguns mais para aqueles acostumados a escuridão eles se tornam familiares, as vezes vistos de relance em alguns locais , raras vezes presenciados na própria mão da Morte Vestida.

O Dente do Caçador

A faca carregada pela Morte Vestida para dar o golpe final aos homens que se recusam a seguir em frente, o artefato mais conhecido e aquele mais querido pelos homens por seu poder avassalador, nas imensidões da escuridão existem coisas que não podem ser mortas. Não para essa faca, não existe o que aquele fio não mate e não existe quem possa com ele. A arma vorpal por excelência caso o usuário da faca atinja um golpe critico em um adversário esse não tem direito a um teste de armadura para resistir a morte instantânea, ela apenas vem, um golpe bem dado uma morte, contudo a faca tem vontade própria e tenta retornar a sua senhora, a cada morte bem sucedida o Dente do Caçador tenta sumir das mãos do portador e esse precisa fazer um teste de R ou H, caso falhe a arma some para voltar as mãos da Morte Vestida.

A Luz do Ultimo Caminho

Um lampião velho, adornado por símbolo magico e com uma chama que não esquenta e nem parece iluminar bem, contudo se um mortal carregar o lampião ele se torna uma presença que atrai os espíritos, todos atraídos para a chama como insetos para a luz, uma chama fria que faz os mortos ficarem calmos, diante do lampião qualquer morto agressivo se acalma e as almas penadas se tornam mansas, além de alguns conseguirem adivinhar quando alguém vivo esta prestes a morrer pelo tremor das chamas perto da pessoa.

O Pó do Esquecimento

Um saco de cinzas frias e finas, a algibeira carrega um símbolo floral e é feito de retalhos coloridos algo que não diriam ser de posse da morte, as cinzas nunca diminuem e uma vez usadas em alguém, retiram dessa pessoa as memorias das horas de escuridão da noite que ela se encontra e a leva a dormir, um sono profundo e impossível de se acordar ate a manha quando o feitiço é desfeito pela luz, a pessoa dormindo pelo efeito do pó não se lembrará da noite em que foi colocado para dormir, no máximo uma sensação distante, como um sonho dentro de um sonho. Os encantados não podem ser feridos, sob risco de atrair a fúria da Morte Vestida sobre o vilão.

Lembrança do Caído

Um medalhão circular com um símbolo de caveira, tal medalhão possui o poder de invocar a presença de um morto, não revive a alma, apenas traz sua sombra de volta do outro lado e ele pode responder a 3 perguntas, as perguntas precisam ser respondidas com sim ou não e após essas três perguntas a lembrança do caído retornará a Morte Vestida.

Lamina do Limiar

Uma faca estranha, cega e coberta por um pano, lamina muito pequena e com ponta sem gume sendo meio arredondada mais essa lamina destrói mortos, assombrações e criaturas sem vida, a lamina possui o mesmo efeito do dente do caçador contudo apenas para mortos vivos, a lamina sem fio não parece cortar nada que possua vida mais sua lamina inexistente corta almas e monstros vestidos em carne morta com a mesma facilidade.

Velho Remédio

Um amuleto de pedra amarrada em corda simples, o velho remédio é um item estranho, se usado por um enfermo que faz uma oração para sua cura ele é capaz de salvar qualquer um mesmo a beira da morte, não parece existir limites para essa panaceia, qualquer doença, veneno ou maldição é curada pelo item.

Noite sem Luz

Um medalhão com uma lua crescente em sua face, a noite sem luz uma vez colocada em um pescoço faz com que toda luz ao redor empalideça a menos que seja algo magico como a luz do ultimo caminho, a escuridão é ampla e apaga todas as luzes em uma grande área, alguns dizem de 1 KM e nada mundano consegue contesta-la, é tão estranha que mesmo seres capazes de enxergar no escuro não conseguem ver através dessa escuridão.

Ponta da Vigília

Um medalhão composto de uma ponta metálica lisa, a ponta da vigília afasta de maneira sobrenatural as pessoas vivas daquele que esta usando, elas sequer percebem que estão sendo levadas para longe apenas sentem vontade de fazer algo que as afasta da pessoa que usa o medalhão.

Osso da Promessa

Um osso pequeno do tamanho de um dedo, com formato peculiar amarrado em um cordão, o osso da promessa é um dos artefatos da morte mais inusitados pois é um dos que parece possuir efeito pratico apenas para os vivos, se dois mortais jurarem algo sob o osso ele vincula a promessa de modo que aquele que a quebrar morre.

Ecos dos Passos

Um conjunto estranho de badulaques que na verdade faz parte do mesmo item, presos juntos eles revelam caminhos escondidos, passagens secretas, armadilhas de teor mundano ou magico, revela rastros invisíveis, caminhos percorridos mesmo por seres que normalmente não deixam rastros.

Placa do Caçador

Uma placa gasta com um símbolo florido parcialmente apagado, a pequena placa de metal parece indestrutível e possui uma habilidade peculiar, ela parece estar sempre posicionada de modo a salvar seu usuário de algum golpe que por outra razão seria mortal. A placa do caçador anula um único golpe critico contra seu usuário por combate, ou anula o primeiro golpe que o mataria.

Bico da Verdade

Um pequeno crânio de pássaro de uma espécie que não existe, o crânio é quase imperceptível e de aparência muito comum contudo na presença do artefato ninguém na região consegue falar mentiras e respondem a todas as perguntas feitas, contudo toda manha o crânio ameaça sumir e voltar a sua dona a Morte Vestida.

Lagrima do Abismo

Pedra negra afiada amarrada em pequenos cordões, a lagrima do abismo corta ligação dos mortais com o sobrenatural, na presença dessa lamina magias parecem sair erradas e com dificuldade, perto da lagrima do abismo qualquer mago paga o dobro de pms para lançar suas magias.

Circulo da Partida

Um pequeno gasto e sem adornos, a aliança é quase imperceptível não fosse seu brilho fosco de prata velha, contudo uma vez que esse anel é colocado sob o chão de uma construção ele cria um limiar intransponível, nada deixa a construção, nada adentra a construção, mesmo criaturas de cunho sobrenatural são barradas.

Sangue Lacrado

Um frasco de sangue enegrecido que nunca coagula é impossível retirar a tampa do frasco e retirar o sangue, não se sabe ainda o que esse artefato faz se é que faz alguma coisa, poucos foram aqueles que colocaram as mãos no sangue lacrado.

Marca do Julgamento

Um selo cabalístico queimado em um medalhão metálico, o artefato revela as falhas, os pecados e a índole daquele que o vestir.

Olho do Silencio

Um nome estranho para mais um artefato que é uma pedra amarrada em um pingente de corda, contudo parece fazer um par com a noite sem fim, enquanto alguém usar o olho do silencio, por uma grande área de aproximadamente 1km não é possível emitir som, impossibilitando tudo que precisa de fala ou som para acontecer.

O Sino do Fim

Um sino pequeno de metal opaco que não reflete nenhuma luz, o sino em si não faz nenhum barulho parecendo ate um brinquedo quebrado contudo seu efeito é interessante. Todos já sabiam de um dos efeitos do sino, uma vez tocado ele não emite som mais todos ao redor sentem que algo mudou mas ninguém sabe dizer o que é, o sino em si muda as regras do sobrenatural ao seu redor, dando fim a algo prolongado artificialmente como vidas estendidas por magia ou medicina, também encera invocações, rituais e efeitos ativos de magia.



Trevas na Terra de Santa Cruz

Curupira

 

A chuva torrencial havia parado fazia pouco tempo, mas as folhas pingavam ainda de modo que parecia que a agua continuava a cair das nuvens

Folhas pingavam e pingavam lentamente sobre os ombros dos caçadores enquanto avançavam mata adentro, empurrando galhos úmidos e raízes grossas escondidas sob a lama escura. O céu completamente coberto pelas copas das árvores, e o resto da luz do dia chegava ao chão em tons doentes de verde e vermelho.

Augusto liderava o grupo com a espingarda apoiada no ombro. Atrás dele vinham João, Nicanor e o mais novo deles, Davi, que tentava esconder o nervosismo mascando fumo sem parar.

— Eu tô dizendo que ouvi aquilo de novo — murmurou Davi.

Ninguém respondeu imediatamente. Ou quase ninguém, a floresta parecia escutar pois vez ou outra folhas se moviam estranhas ou era o medo do mais inexperiente?

Então Joel riu pelo nariz.

— É bicho, moleque. Macaco, talvez.

— Macaco não assovia — Davi falava olhando por traz dos próprios ombros, inquieto, isso afetava os demais que ouviam a afirmação sem demonstrar mais ela ficava pairando sobre a mente dos mais velhos.

Então um assovio atravessou o breu, longo, fino e muito alto.

Augusto parou abrupto e os outros bateram nele, mas todos escutaram dessa vez.

Nada veio depois. Apenas o vento balançando folhas molhadas e o ruído distante de água correndo entre pedras.

— Tem alguém aqui — disse Davi, sussurrando, inquieto e tremendo.

— Tem sim é coureiro tentando assustar vocês — respondeu Augusto, embora sua voz tivesse endurecido um pouco.

Eles continuaram. O breu avançou cobrindo a mata.

Quando encontraram uma clareira estreita para montar acampamento, o céu já era um teto negro sem estrelas. Joel acendeu o lampião enquanto Nicanor preparava o fogo, foi então notaram, nenhum som, pássaros não cantavam, insetos não estavam os perturbando. Nada.

Augusto lentamente levantou os olhos para as árvores.

— Isso não tá certo.

Um estalo veio da escuridão. Todos viram ao mesmo tempo, um vulto se movia entre os troncos, magra e familiar. Homem e não animal.

Baixo como um menino entrando na adolescência mais algo assustava os quatro, como um instinto de perigo de alguém vendo uma cobra a primeira vez, cada um deles queria correr.

Davi ergueu a lanterna, a luz tremia em sua mão.

É que daqui pra frente vai ser só pra traz.

A luz iluminou um rosto de olhos amarelos e profundos, parecia por um segundo um garoto ate ele sorrir com dentes finos como dentes de felino e o cabelo do curumim se acendia como o sol, seus olhos incendiavam demonstrando odio.

Joel disparou para o garoto, o estampido explodiu pela mata e morreu imediatamente, engolido pela escuridão. O alvo não estava mais lá.

Depois disso, veio o assobio novamente.

Mais perto.

Atrás deles.

Nicanor girou rápido apenas para ser perfurado por um galho afiado em chamas, roupa grossa, ossos, músculos, órgãos e pele. Tudo perfurado com a mesma facilidade. Os olhos de Nicanor iam se apagando vendo o peito perfurado pela lança em chamas como que não acreditando no que via enquanto uma risada seguida de um assovio cortava a mata.

Os três ainda vivos gritavam se afastando do corpo de Nicanor que inflamava como uma fogueira e enquanto o cadáver carbonizava Davi rezava baixinho.

Augusto sentiu o frio subir pelas costas. Aquilo estava errado, o fogo se espalhou rápido demais, Nicanor assim como todos, assim como tudo ao redor estava encharcado.

Os galhos sacudiram violentamente em sequência, como se algo enorme estivesse circulando o acampamento em alta velocidade.

Joel apontava a arma para todos os lados.

— Eu não tô vendo porra nenhuma!... Cadê ele?


A escuridão caiu sobre eles como um pano. E naquele breu mais uma lança em chamas corta a escuridão atingindo a perna de Joel que caia gritando de dor enquanto o menino cantava. 


Eu quero mais...

Quero mais...

Sangue teu...

La vai mais um...

 Que morreu...

Que morreu...


Joel desesperado atirava para todos os lados fazendo Davi e Augusto terem que se abaixar para não serem atingidos no meio do pânico do amigo que antes que pudesse ser socorrido era perfurado mais uma vez no pescoço e era silenciado caindo mole e começando a incendiar como Nicanor antes dele.


La vai mais um...

 Que morreu...

Que morreu...


Davi começou a chorar agarrando os próprios joelhos

— Augusto...

Choramingava o garoto mais Augusto estava em alerta tentando achar a luz do cabelo do pequeno monstro que novamente havia sumido entre as arvores, concentrado, sentindo o coração na garganta e na ponta dos dedos que apertava a arma com força. Tão concentrado que demorou a notar que Davi não chorava mais.

Em terror Augusto correu sem direção, tropeçando em raízes, sentindo galhos cortarem seu rosto. Atrás dele, algo o acompanhava sem pressa.. Sempre na mesma distância, a coisa não precisava correr.


Eu quero mais...

Quero mais...

Sangue teu...


Em meio aos tropeços o caçador caiu por um barranco e dele para um rio caudaloso que o levou para longe rápido, antes de ser engolido pela agua ele ainda viu o fogo brilhar uma ultima vez e podia sentir o ódio direcionado a ele.

Augusto o único sobrevivente viveu ate a velhice contando a quem quisesse ouvir sobre porque todos precisam ter medo do Curupira e seu imenso ódio pelos homens.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Trevas na Terra de Santa Cruz

Meu Encontro com Lampião e o Diabo

Sentado numa réstia de clareira em meio aquele negrume da noite eu me encontrava vigiando o fogo da fogueira, afiando o facão a medida que a madeira estalava enquanto devorada pelo fogo, num ritmo hipnótico me envolvi de tal forma que não notei o homem que veio a se juntar a mim se aproximando do acampamento, erro que poderia ser mortal acabou sendo relevado pelo destino pois o homem furtivo apenas se sentou perto do fogo, reclamou da noite fria enquanto se aninhava perto das chamas, estava absorto em meus sentidos bestificados diante de tal acontecimento, fora surpreendido afinal, tanto que demorou segundos para perguntar.

- Desculpe viajante mais de onde veio? Porque não lhe vi chegar? - Sem rodeios perguntei e o homem disse.

- Vim de lá - Apontando para a escuridão - Faz de conta que tem luar e que as estrelas não brincam de conversar em voz baixa, vim da trilha que segue por ali na escuridão, escapado da morte que enganei - Completava o homem voltando a se esquentar.

- E como parece a morte? - Perguntei surpreso com o homem que olhava de cima abaixo, não parecia assombração, ficava junto ao fogo, diferente dos fantasmas com quem já falei, sua pele contudo era costurada com amarras estranhas, como que dado ponto por muitos médicos e sobrevivido a muitos cortes.

- A Morte é alta, vive de capa sobre o corpo e carrega uma afiada faca com quem toma nossa alma, a Morte, muito vaidosa como só ela já que é adorada por todos os heróis que existiram foi enganada por mim quando lhe dei uma fita bela de prenda, com palavreado de se conversar com moça bonita lhe amarrei a fita no pescoço e apertei ate que caiu. Então fiz para mim essa pele de seda elástica e sai a correr mundo - respondia, e começava eu a acreditar que era um homem morto a minha frente, alguém que fugiu do sem fim. Medo eu tive embora não me sentisse firme em minha decisão, não sabia se deveria ignorar, continuar a conversa ou tentar enfrentar o morto, poucas vezes eles são confiáveis mais esse não me ergueu ainda a mão de modo que decidi não ser o primeiro a agredir alguém.

- E não tem medo de ser perseguido? - perguntei a assombração com corpo que me respondeu

- Medo não detém meus feitos, e não serei achado cedo e não sem trabalho, aqui nesse lado começa a mata encantada, bem nessa parte, a sombra escondeu as arvores e a lama rouba a força dos passos de todos que andam na noite, sapos beiçudos coaxam enquanto não há movimento, espiando o escuro - analisava a região - mais a frente um fio de agua lambe a lama e arvorezinhas acocoram-se no charco e raízes velhas comem terra.

- Você fala como se já tivesse estado aqui, e de um jeito que eu nunca vi ninguém falar - indagava a figura que me respondeu 

- Porque já passei aqui quando vivo, e já depois de morto, sem corpo eu passei por aqui e vi coisas que olhos de carne não veem, que olhos do vento da noite conseguem notar

No avançar da noite o mal assombro apenas fica maior, os sapos param de cantar e o viajante do além sacava uma faca longa e brilhante a qual tinha escondido, faca essa que me arrepiava ao olhar pois ela parecia brilhar a meus olhos me relembrando todas as vezes que quase morri, cada tiro que sobrevivi, cada vez que por pouco não me estirei no chão, apertei com mais força o facão e de fato alguém chegou com dificuldades mais não foi demorado, um homem de bengala e aura terrível, os sons das aguas e das aves, não apenas dos sapos, todos emudeceram enquanto podia ouvir meu coração na garganta e meus dedos apertando o cabo do facão ate os nós esbranquiçarem.

A Morte Vestida
tão amada pelos Herois
 

- Que maldito terreno, desgraçado Virgulino de todos os lugares que ia se esconder veio pra um local com lama? Queria me evitar é? Sabe que não gosto dessa friagem da madrugada - dizia o homem batendo os sapatos sujos num chão firme, a tensão não diminuía, mesmo quando ele falava com voz macia e aprazível eu sentia dentes arranhando meu pescoço. 

- Desgraçado é você Cão Torto, sim fui para onde você não gosta de vir, mas se acha que foi por medo seu Diabo, digo que essa faca pode muito bem provar seu sangue podre primeiro - os olhares se voltaram para a faca, eu sabia quem era o segundo visitante, o Diabo sorriu com dentes afiados, sacando uma adaga da bengala ele falou

- Então você pegou a faca da Morte Vestida - Ao que era respondido.

- Isso mesmo Coisa Ruim, o Dente da Caçada, enquanto o sol nascer no céu e enquanto o céu cobrir o mar, nada entre eles e debaixo deles pode com esse fio, mais você quer tentar a sorte? - Dizia o morto desafiadoramente.

Um sorriso monstruoso era dado, o ar esquentava e a fogueira começava a queimar com mais força fazendo a mim e ao morto se afastar do fogo, o Diabo ria com sua dentadura afiada - Mas você é homem de bater comigo Virgulino? Mesmo que usando tal talismã, eu ainda sou eu - Ameaçava o Diabo.

- Ainda que sem essa faca eu não iria deixar essa provocação passar em branco Coisa Ruim. Hoje eu vou ver de que cor são tuas tripas e vai voltar pro inferno sabendo, Lampião não pede arrego nem se acovarda diante de ninguém.

Mesmo que eu tentasse não conseguiria correr, o diabo parecia uma onça esperando a covardia e ele me levaria com um golpe nas costas se eu empreendesse fuga, se fosse para morrer morreria de frente para o perigo, uma briga de facas terrível se desenvolveu, talvez a mais feia das brigas de facas, movimentos largos e arremetidas seguidos de estocadas e recuos de todos os lados, mesmo enfrentando dois o Diabo era rápido, a lamina beijava sua carne e voltava quente e fumegante, sua faca não me fazia sangrar pelo contrario queimava minha carne e roubava minha força.

Cortes nos braços e mãos do trio se multiplicavam, poucos golpes na pele do peito protegido por roupa e couro mais as laminas deslizavam pela bruta e improvisada armadura como se não existissem, corte profundo na barriga do Diabo e ele finalmente cai segurando a escuridão que lhe vazava como se fosse sangue, enquanto lutava para manter as trevas dentro da barriga e eu tremia com dor dos cortes no braço, Lampião se aproximava do inimigo como um carrasco - Cabra com esse seu jeitinho, que não gosta de sujeira e agua, não tem vez aqui no sertão do meu padrinho - ele corta a cabeça do Coisa Ruim que caia ainda sorrindo dizendo - Te vejo do outro lado - E o corpo da aparição se misturava as sombras da noite que restava e nas sombras tendo assistido a luta sem que eu notasse uma bela mulher estava observando, pelas historias que eu tinha ouvido aquela feição era de Maria Bonita que sentada na fogueira pergunta com voz de anjo.

- Porque ligar para vingança? Você tá morto Virgulino, aqueles que te mataram vão morrer em alguns anos também, não é o bastante saber que o mundo é assim, que a lei da terra vem para todos? - Sem olhar para a mulher ele responde.

Lampião enfrentando o Diabo

- Não é o bastante, Maria eu vou me atrasar... Nem que eu rode o mundo e depois dele o inferno todo não vou deixar aqueles miseráveis vivos depois do que fizeram conosco - Ao ouvir isso a mulher mudava de forma para uma figura alta de grande manto florido e com uma mascara que parecia o crânio de um cavalo na escuridão, ela se aproximava e tocava o ombro do cangaceiro.

- Então boa sorte - A morte então perde sua forma com os raios da manha, mas não Lampião, que observava suas mãos, vendo sua pele resistindo a luz e com um sorriso ele guardava a faca na roupa.

- Me desculpe homem, a noite foi ruim para você, não era minha intenção acredite, como posso chama-lo? - Me perguntou ele, ao que respondi. 

- Sou Lorenço, fui bandeirante hoje apenas ando por essa terra - E ele diz com um sorriso antes de andar em direção ao amanhecer.

- Vou lembrar de você Lorenço.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Trevas na Terra de Santa Cruz

O Cabeça de Sirene 


O avanço sobre o Paraguai é quase nulo, armas automáticas, mechas poderosos e os rios, ah os rios, se os lusitanos tiveram problemas com os francos a ponto de sua família real fugir para a Terra de Santa Cruz, esses problemas duvido eu, foram tão terríveis como lutar em locais onde chove quase todo dia, trincheiras rudimentares cavadas são facilmente inundadas e a noite coisas saem da mata para buscar os corpos que não foram recuperados, dormir é difícil e o stress é alto os soldados estão uma pilha de nervos ao ponto que brigas começam a ficar frequentes, no destacamento onde me coloquei tento remediar isso, ja passei tanto por tais situações que sei como ajudar a aliviar os ânimos, historias, bebidas improvisadas e de gosto melhor que o que temos recebido, ficariam surpresos como da pra destilar alguns tipos de bebidas com poucos instrumentos ou fermentar outros usando menos ainda.


Contei historias que aprendi com os índios, truques para disfarçar a luz de fogueiras e para caçar com mais facilidade apenas pedi para que ensinassem a todos que pudessem essas habilidades, enquanto bebíamos e falava sobre como da pra fermentar uma bebida dentro do tronco de uma bananeira, um dos soldados me falou algo que algumas vezes no passado eu mesmo já pensei, a chuva estava muito forte e os raios o que também me lembrou de um dia que ate agora não tinha registrado em meu diário, em parte porque não sei bem o que vi e em parte porque não sei o que pensar sobre o que vi.


- Deveríamos caçar todas essas criaturas e reduzir seus territórios a nada, tais monstros não podem mais nos incomodar - foi o que ouvi de meu aliado de armas.


- Não, infelizmente o coração humano pode gerar criaturas tão perversas e poderosas quanto aquelas que nos caçam no ermo - respondi a ele, e naquele dia contei historias sobre canibais amaldiçoados, sobre bruxos terríveis, sobre lobisomens e enquanto a chuva aumentava, contei a historia que agora escrevo.


Estava em fortaleza, ainda na época que estava revisando mechas que agora sei que viriam para essa guerra, pessoas estavam morrendo, sendo destroçadas e largadas na praia, na orla dos mangues e outros locais de difícil acesso, o numero de pessoas desaparecidas era maior entre indigentes mais ate trabalhadores de fabricas e policiais começavam a sumir e reaparecer mortos, por sorte não fui pego como um suspeito, pelo menos não oficialmente, estrangeiro, mesmo que as mortes tivessem ocorrido antes de minha vinda oficial, era irresistível me observar.



Mais irresistível ainda para o assassino que gostando de chamar atenção, deveria querer mostrar como a policia estava longe de entende-lo e como ele era esperto, num distrito ferroviário que levava os mechas para longe e trazia peças para as fabricas ao qual eu usava de atalho para ir ao quarto onde dormia, chovia muito naquela noite e fui atacado, o assassino tentou me surpreender aproveitando-se da chuva mais não fora rápido ou silencioso o suficiente, a punhalada que investiu contra mim nunca me atingiu, a luta foi patética, não precisei sacar arma alguma, em meio a tempestade troquei golpes com o assassino que nunca chegou a me tocar, enquanto esmurrava seu rosto mascarado, após alguns momentos de luta em meio ao temporal, o assassino cansado se apoiou em um poste de ferro onde no topo as sirenes que alertavam os trabalhadores ferroviários sobre os seus horários, me olhou com grande ódio recebendo de volta um olhar de desprezo por sua fraqueza, teria matado o pobre diabo nesse momento, já estava pronto para lhe quebrar o pescoço mais Tupã quis diferente e fez sua vontade presente, um raio atingiu o poste, houve uma explosão que me fez recuar e então o homem e o poste haviam caído, desfigurado e destroçado, com ferro do poste fundido a seu corpo pelo calor do raio, a policia que veio depois, chamada por mim, nunca viu nada parecido.


O corpo foi recolhido, enterrado como indigente, contavam as historias de quem foi assistir o enterro, falaram que ele foi enterrado com os restos do poste pois era impossível tirar sem mutilar mais ainda o corpo.


Um mês foi o tempo de paz que a cidade teve antes dos assassinatos retornarem mais sem corpos achados agora, as pessoas apenas sumiam e dessa vez não seguiam mais o padrão das vitimas, nas minhas ultimas noites em fortaleza tive um encontro na ferrovia, um monstro passou ao longe, tocando um som sinistro por suas bocas em forma de sirene, me escondendo entre vagões para me preparar para qualquer coisa, vi em meio a chuva que caia, um colosso passando pelo ermo de restinga de mata, a monstruosidade de pele queimada com corpo semelhante ao humano e ferro misturados, sem cabeça, com sirenes lhe servindo como tal acima de um fino pescoço, vi a fera se afastando sem nem ter me notado e não sei o que aconteceria se tivesse sido, ainda não tenho certeza do que vi como relatei, mais imagino que aquele era o assassino.

sábado, 3 de abril de 2021

Trevas na Terra de Santa Cruz

Aparição Na Quaresma



Me recuperando na ala medica daquele destacamento, ossos sarados, ferimentos fechados, decidi que ficaria e participaria daquela batalha, ainda que a potencia dos meus músculos fosse grande e minha experiência me ajudasse a verdade é que estou velho, ciente que as chances de sair vivo dessa guerra são menores do que as de um jovem contudo a verdade é que todo mundo morre de alguma coisa e não adianta viver com medo da morte, mesmo o imperador Dom Pedro esta nessa batalha o que me surpreendeu, não imaginava que existissem governantes que defendessem seu povo fora dos livros, talvez o mundo não seja tão escuro quanto eu sempre achei, ou talvez eu sempre tenha andado com a cara enfiada demais na escuridão. 


Armas sempre foram minha companhia e ainda que não fosse um dos soldados facilmente consegui ingressar na guarda de milícia não treinada do exercito, homens simples e corajosos, almas gentis e sofridas que pegaram em armas devido a ameaça a sua terra e sua gente, o companheirismo nasce rápido entre combatentes e logo me vi dividindo historias de minhas andanças as que eles mais gostam são dos encontros estranhos com as feras dessa terra, monstros com pouca ou nenhuma explicação e me vi contando uma historia a qual ainda não havia escrito em meus textos, estarei aqui reparando tal deslize.


Foi no sertão do Maranhão onde se passou essa historia, uma ex freira chamada Ana Luisa que abandonou o habito para se casar com um homem ao qual se apaixonou e teve uma filha, havia sido deserdada pelos pais, por oito anos viveram juntos embora a relação rapidamente definhasse, o homem ao qual havia se apaixonado, Roberto, ciumento e possessivo morava com sua esposa e filha em um sitio afastado de quase tudo a 8km da vila mais próxima e ainda assim acreditava que sua mulher lhe traia, abandonando-a gravida de seu segundo filho. Mãe e filha sozinhas e abandonadas no sitio viviam como podiam e acabou por fazer o parto sozinha tendo como única ajuda sua menina mais velha, parto difícil e com grande perda de sangue havia deixado Ana Luisa doente e com 3 meses após o parto ainda demorava a se recuperar, nessa época eu me vi batendo em sua porta.


Vindo em busca de orientação, encontrei a mulher enfraquecida, o jovem bebe ao qual tinha chamado de João e sua pequena filha Tereza ao que vim descobrir depois de ouvir a historia completa, cuidando de todos os afazeres da casa, não consegui partir dali dando as costas aquelas duas, fiquei e ajudei, embora não tenha sido tão útil quanto gostaria de ter sido, caçava, conseguia alguma comida mais Tereza é quem realmente cuidava de sua mãe que mau se sustentava em pé no tempo que fiquei ali, com tonturas e fraqueza as vezes desmaios, sempre era a menina que estava ali para socorrer sua mãe e cuidar dela, um mês após eu chegar, quatro após o parto, entrava a quaresma e a mulher lentamente começava a mostrar melhoras.


Na noite em questão para o conto estava eu bebendo do lado de fora da casa, Tereza lavava os pratos e copos pois a pia também ficava fora da casa que pequena e com chão de palha e barro, se molhada seria complicado para limpar, deveria ser oito horas da noite, não fazia tanta diferença, senti algo me olhando da mata, algo que atiçou meu instinto e lentamente pegava minha pistola de pederneira do meu cinto e a deixava sobre a coxa e falei a pequena Tereza.


- Va para dentro de casa e cuide de sua mãe e do bebe, deixe esses pratos ai, de manha se resolve isso a noite esta fria e se ficar doente quem cuida da casa? - disse com certa urgência embora tentando me manter calmo mesmo que meu corpo falasse que deveria me erguer e me posicionar para o enfrentamento.


- Mas os pratos sujos vão atrair os bichos - me respondeu a pequena ao que lhe respondi


- Vai, eu vou ficar aqui fora hoje, fazer uma fogueira, beber um pouco, com o fogo nenhum bicho vai chegar perto da casa - e a menina cansada foi se deitar para dormir, lembrei-a de trancar a porta e quando ouvi o trinco sendo passado juntei madeira como disse que faria e ascendi uma fogueira mantendo a calma mais mantendo também a atenção em todo lugar.


O fogo nem havia pegado ainda quando senti cheiro de enxofre e já atirei mil balas para saber bem como é o cheiro quando a pólvora queima, ouvi um rosnado leve e com as chamas ainda mansas atrás de mim me virei para encarar a escuridão sacando o facão da bainha e apontando a arma para a noite, luzes que depois vi serem olhos, me encaravam no escuro, sem medo da fogueira ou das chamas a coisa andava ao meu largo, ou seria ao largo da casa? Parecia um grande cão com aspecto demoníaco, um largo sorriso era discernível em seu rosto, já havia enfrentado um lobisomem a essa minha altura da vida, estava pronto pra o ataque, para me machucar para pagar sangue pela vitória, so não para ouvir o monstro falando.


- Vim pela criança pagã - me disse o monstro enquanto a escuridão parecia o abraçar sem contudo diminuir o brilho de seus olhos ou de seus dentes.


- Não tem criança pagã aqui, vai embora - disse eu forçando a voz para não falhar, não veio em minha mente uma ameaça, um brado de heroísmo ou algo épico, ainda me desconcertava que aquilo tão inumano estivesse conversando comigo.


- Te deixo viver se trazer a criança - me falou o cão novamente - a mulher lá dentro é nova, pode ter mais filhos - ele parecia me medir, talvez tenha notado que minha postura fosse de guerreiro, ou notou meu sangue mestiço que me tornava mais difícil de derrubar que os descendentes puros dos Lusitanos, verdade seja dita, minha ascendência Tupi em muitas vezes já tinha me salvado.


- So vai passar comigo morto - falei em um rugido, ele sabia do bebe então não tinha porque continuar a tentar engana-lo mais a fera dizia - o filho nem é seu, vocês viventes se apegam a tudo que se move... O rebentozinho nem possui o saber ainda, mais não pense que vai se safar apenas porque consegue correr mais - foram as ultimas palavras do monstro para mim, nesse momento a escuridão o abraçou e num instante depois ele havia saltado sobre mim, atingindo meu ombro e quase meu pescoço, rasgando carne, raspando em ossos com os dentes, o joguei para traz com um golpe do facão que não o cortou, pele dura, pelo estranho e afiado, mais o golpe não foi inútil, se contorcendo de dor como que houvera levado um golpe de porrete vi o monstro afastando-se para reavaliar a estratégia e eu contudo não ia deixar ele ter iniciativa novamente, não sentia dor , não ainda e não havia de deixa-lo atacar novamente, ataquei mais atingi apenas o ar da noite.


O grande cão estava no topo da casa tentando afastar as telhas com as garras e ouvi o grito de Tereza e Ana Luisa, mirei com a mão ferida e atirei, o monstro grunhiu e sangrou, correu rápido para longe, a força do tiro fora o suficiente para o ferir mais sabia que não havia lhe matado, de manha mesmo ferido, praticamente carreguei Ana Luisa, Tereza e o pequeno João para a igreja do vilarejo onde o menino fora batizado e já na luz das estrelas, entre as trevas fora da igreja podia ver as luzes dos olhos do enorme cão, não sei o que foi aquilo, mais nunca mais o vi.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Trevas na Terra de Santa Cruz


Gigantes de Ferro

Gigantes de ferro são as monstruosidades de metal comandadas por magos e servindo como as unidades mais resistentes no campo de batalha, sendo para carregar soldados ou para batalha.
Introduzidos durante as guerras napoleônicas os gigantes de ferro se tornaram um elemento básico da sociedade moderna na Europa e mesmo aqui na no império de Santa Cruz, embora em menor escala, no velho mundo eles servem na agricultura, industria, transporte e muitas outras facetas da vida. Alguns são relativamente pequenos, frágeis e rápidos, enquanto outros são, hoje eu sei, colossos imponentes que fazem tremer a terra e dominam o horizonte, acima de tudo eles se tornaram a nova face da guerra, gigantes de ferro são produzidos para fornecer aos exércitos um poder de fogo mortal, capaz de derrubar tropas em massa.

Desenvolvidos no império Franco, projetados e produzidos em grande quantidade,  varias nações hoje produzem seus próprios modelos para atender a suas expectativas e mesmo em tempos de paz os gigantes de ferro continuam a servir em múltiplas funções no mercado civil e militarmente.
Os gigantes de ferro são unidades duráveis e caras, complementar uma infantaria de campo com um desses pode ser um custo absurdo mais que se paga a longo prazo, fortemente resistente a balas os gigantes mais leves podem passar por pelotões de armas automáticas com relativa facilidade e os mais pesados costumam ignorar tiros de canhões de grande porte.

Vendo livros que vieram com a biblioteca pessoal do próprio imperador que gosta de ler antes de dormir mesmo no campo de batalha, vi que hoje os gigantes seguem de fato um padrão dependendo da nação que os criou.

Os gigantes da União Rusvietica possuem um padrão agressivo e rápido, usados para guerras de atrito e para controle de multidões suas formas lembram peças de navio, talvez inicialmente fossem reciclados e apenas o modelo se tornou padrão, projetos simplistas e robustos, parecem feitos para defletir balas e forçar combate corpo a corpo.

Os gigantes do império Saxonico apresentam forte poder de fogo e blindagem resistente, tendendo a serem caros e muito lentos. Maquinas versáteis e de designe elegante e complexo em sua estética eles são estranhamente semelhantes aos gigantes usados pelos paraguaios nesse momento em que escrevo.
A guerra assimétrica normalmente lutada pelos Lusitanos os forçaram a usarem gigantes rápidos, com armamento especializado e tipicamente mais frágeis, embora a fragilidade seja relativa ela não costuma ser um grande ponto fraco, nas guerras de desgaste, em emboscadas e em estratégias de bater e correr os gigantes Lusitanos são eficientes, seu designe agora me parece bastante primitivo com ângulos retos e simples contudo é indiscutível que cumprem sua função.

Gigante de reconhecimento PZM-7 “Chaleira”

Produzido pelo Imperio Lusitano, é rápido, leve, armado com um poderoso canhão capaz de perfurar armaduras de alto calibre e com uma baioneta para combate corpo a corpo, o nome foi dado pelos soldados e rapidamente pegou sendo agora a forma coloquial de se referenciar o gigante, orgulho de engenharia, o tronco cilíndrico da uma proteção considerável a seus pilotos e a mão em forma de garra promove maior estabilidade para disparos ou agarrar objetos, motor alojado na parte traseira com duas chaminés claramente visíveis espelindo fumaça.
"Rápidos e versáteis"

Construido para correr o Chaleira chega a vinte e um quilômetros por hora se mostrando uma unidade muito móvel, um dos mais rápidos modelos produzidos podendo ultrapassar infantaria, sua arma com longo alcance permite a seus pilotos assumirem táticas de guerrilha e de caça, atirando em seus alvos e mudando de posição pra evitar retaliação.

Na guerra moderna esse gigante se move em regimentos inteiros, para destruir alvos frágeis ou lentos rapidamente e recuarem após causar o estrago significativo, ou unidades pesadas de infantaria para proteger flancos.

F3 H0 R2 A2 PdF4 Sugoi
Vantagens: Aceleração, Ataque Especial (penetrante) , Tiro Longo
Desvantagens: Bateria, Modelo Especial

Pzm24 “Boi”
Batizado pelos soldados devido a seus canhões lembrarem chifres, essa imensa maquina bípede é um orgulho de engenharia e um símbolo de força, é o maior gigante em exercício em todo o mundo, emanando potencia em tempos de guerra e presença em tempos de paz, a criação de um desses monstros gera enorme pressão nas industrias por isso seu alto custo.

Independente de serem produtos caros existem poucas visões tão inspiradoras ou aterradoras para alguém que uma coluna desses navios de guerra terrestres marchando pela paisagem da batalha dominando o horizonte com sua imponência, verdadeiros titãs por direito próprio, esses gigantes esmagam a terra e fazem tremer as construções com passos largos dados por seu formato bípede robusto que sustenta uma enorme cabine blindada onde sua tripulação opera os dois canhões principais do guerreiro de metal, morteiros instalados  para tentar contornar as fraquezas devido a velocidade limitada e o arco de disparo pequeno, tendo como ponto fraco a traseira onde o motor principal fica acoplado, derrubar essa maquina de batalha é um feito para poucos e não existe nada no mundo que ele não possa enfrentar.

F4, R3, A3, PdF5. Kyodai
Vantagens: Ataque Especial 2 (Disparo Duplo)(PdF), Ataque Especial 1 (Esmagar)(Força) 
Ataque especial 1 (Esmagar)(Aproximação)(Força).
Desvantagens: Modelo especial, Bateria

SHM70 “Fortaleza”
Uma unidade mecânica maciça, produzida pela União Rusvietica, parece uma quilha  frontal de navio com varias armas a frente, pronto para enfrentar quase qualquer coisa que possa se colocar no seu caminho.

Um monstro Rusvietico seu combate deve ser espetacular de ser visto, um gigante de tamanho médio muito robusto como um escudo com pernas expelindo fumaça ao andar, no lado esquerdo do seu chassi esta um canhão obuseiro de alto calibre, a direita esta um canhão de nível naval e nos ombros e no centro da cabeça torres de metralhadora voltadas a todas as direções totalizando 3 metralhadoras pesadas, aparentemente projetado para lidar com multidões e infantaria esse gigante se move de maneira lenta sendo presa fácil a canhões de longa distancia.

F1 H0 R4 A4 PdF 3
Vantagens:Ataque Especial (pdf) Deflexão, Pvs Extras x2.
Desvantagens: Modelo Especial, Bateria.

SD.KS49 “Texugo”
Mais um gigante produzido pelo império saxônico, estranhamente o que acabei enfrentando na orla da mata, parece uma unidade excelente para enfrentar soldados e infantaria no geral mesmo sofrendo golpes no processo, resistente a fogo de armas pequenas, equipado com uma gigantesca arma automática é fácil imaginar que seja uma arma popular nos exércitos saxões e que esteja substituindo times armados com metralhadoras.
"Maquinas de guerra acabam em locais estranhos apos o fim da guerra"

Comparado com o homologo “Chaleira” o “Texugo” é uma peça de engenharia robusta e resistente, corpo muito maior e coberto por armadura grossa, com pernas curtas e braços  finos, o apêndice direito é apenas a arma enquanto a garra no esquerdo exerce determinada força, possivelmente apenas pra retirar obstáculos do caminho do gigante que tem como uma das fraquezas a falta de adaptabilidade a todos os terrenos.

Apesar de sua limitação o barulho de sua arma girando significa morte a tudo que estiver a sua frente, não fosse sua incapacidade de reagir a ataques de todas as direções seria o demônio mais temido que já pisou num campo de batalha.

F1 H0 R3 A3 PdF3 Sugoi
Vantagens:Deflexão, Tiro múltiplo.
Desvantagens: Modelo Especial, Bateria.

SHM69 “Abridor de Latas”
Mais alto que a maioria dos edifícios o Abridor de Latas é uma força não convencional, rápido apesar de pernas pequenas para o corpo maciço e fortemente blindado, tem enormes braços que terminam em laminas grossas e fortes semelhantes a foices quase tão compridas quanto o próprio mecanismo é alto. Como outras unidades pesadas Rusvieticas parece a frente de um navio embora nesse caso acredite que seja por questão estética, sua cabine ate lembra uma cabeça, fortemente blindada onde ficam os pilotos.
"Novos monstros da guerra"

Sua durabilidade imprecionante permite que receba alguns golpes sem ser desacelerado e uma vez que se aproxima o suficiente, os danos são gigantescos, parece ser um verdadeiro caçador de gigantes, quase tão rápido quanto um “Chaleira” não é um feito fácil para uma maquina tão pesada, posso imaginar o terror ao ver um monstro gigantesco correndo em sua direção no meio do caos da batalha.

F5 H0 R4 A4 PdF0 Kyodai
Vantagens: Aceleração, Ataque especial F (poderoso, perigoso, perfurante) Pvs extras x2, Deflexão.
Desvantagens: Modelo Especial, Bateria.

domingo, 6 de setembro de 2020

Trevas na Terra de Santa Cruz

 Medo


Guerreiros não vão a guerra para ficar olhando, isso eu já sabia quando aceitei guiar os tártaros para a fronteira, sabia que eles não ficariam apenas olhando e sabia também que eu seria forçado a agir, não imaginava que seria tão cedo contudo, rapidamente seguimos ao sul, caravanas, barcos, usamos tudo que poderíamos para agilizar nossa chegada a fronteira, mais ela havia avançado , argentina agora sei, pega fogo invadida pelo Paraguai, o Paraná se tornou fronteira  de batalha e o próprio imperador esta batalhando contra essa força invasora que possui poder muito maior do que eu esperei ver , do que eu sequer achava ser possível existir, enquanto escrevo esse texto num acampamento militar do império, minha mão ainda treme, minha prosa pode ficar comprometida pela minha situação atual, contudo toda via posso não ter chance de voltar a escrever o que decorreu.

 

Era de noite quando chegávamos a uma vila , já havíamos entrado no Paraná e sabíamos que o local estava mandando suprimentos para a linha de frente imperial, usaríamos a rota para chegar rapidamente na batalha e como meus amigos tártaros falavam, ver como a guerra moderna se parece, o ataque veio covarde e desigual, da mata os homens do Paraguai atacaram a vila cheia de civis e com pouquíssimos defensores, armas automáticas e gigantes de ferro estavam a sua frente e nos pegos no fogo cruzado, um casebre que tínhamos conseguido para passar a noite veio abaixo com poucos tiros dos gigantes e pegamos em armas, o primeiro homem que matei hoje era pouco mais que um pirralho que veio verificar se havia sobreviventes naquele celeiro derrubado.

 

O sangue correu farto aquele inicio de batalha, os paraguaios esperavam um massacre e não retaliação, quando as flechas dos tártaros voaram invisíveis na escuridão da noite atingindo a linha de frente e ate mesmo um gigante foi abatido com seu piloto morto através de uma flechada no visor, o pânico nublou a mente deles e a raiva a minha, pistola de pederneira e facão eram minhas armas mais persegui os invasores, as balas zuniam e um gigante quase me acertou um tiro, atingindo um dos tártaros que estava perto de mim, 3 dos 10 que eu acompanhava morreram essa noite, no meio da perseguição pela mata , enquanto derrubava mais um dos soldados inimigos um gigante de metal quebrou uma arvore próxima de mim e me agarrou pelo tronco me erguendo, senti muita dor quando ele apertou minhas costelas, consegui talvez por sorte atingir o visor aberto do gigante mais não matei seu piloto, a bala ricocheteou ate atingir alguma parte menos vital do piloto que urrou de dor e por alguma razão a escotilha do gigante abriu, talvez danificada pelo tiro? Devo realmente agradecer minha sorte.

 

Em pânico o piloto fugiu de mim que uma vez solto, urrava de dor e tentei correr atrás dele mais fui derrubado com um tiro no peito, a bala do revolver parou nos ossos de minhas costelas, mais fortes que o usual graças a minha herança indígena, mas a dor me derrubou, ferimentos já tinham se acumulado e minha idade pesou naquele momento contudo minha raiva me fez me arrastar atrás dele em passos lerdos, a pequena orla de mata foi superada por mim e minha presa enquanto ele fugia em direção a um regimento dos paraguaios que se assentou ali com suas armas prontos para o combate que viria pela manha, paralisei ao ver o monstro a minha frente mesmo a tanta distancia, resgatado por soldados do império e levado quase que arrastado a esse posto militar só agora depois de 2 horas estou me recuperando do que vi, será que é isso que chamam de horror existencial? O que tenho a dizer é que se aquela maquina de guerra e Anhangá cruzassem , Anhagá seria ferido.




terça-feira, 26 de maio de 2020

Trevas Na Terra de Santa Cruz


Tártaros

Deixando fortaleza em direção ao sertão do mundo fui pego por um encontro estranho e talvez fortuito, guerreiros Crimeios desejavam um guia  para a frente de batalha para o Paraguai, o dinheiro não seria ruim contudo o povo possui medo dos Crimeios, sua magia, sua aparência, seus costumes e roupas exóticos trazem o medo do desconhecido ao povo comum que ainda carrega o supersticioso que os povos europeus possuíam na época que os atuais Crimeios eram os maiores conquistadores do mundo, cavalgando da atual união Rusvietica ate os pontos mais distantes da Ásia, um povo de cavalos, arcos e espadas cujo o nome para os europeus é sussurrado ainda com medo, Elfos.
"Os povos Tártaros foram pegos de surpresa pelo avanço bélico da Europa e agora procuram acompanha-lo"

Conversando com os guerreiros durante a viagem consegui pescar algumas informações, uma vez que não desejei ser muito invasivo e me apresentei também como um historiador, eis meu interesse em levá-los para a batalha pois iria para ela com a intenção de registrá-la, pura mentira, o front do Paraguai pra mim era um inferno que desejava me afastar, impressionante como uma visita a fortaleza mudou tudo, tanto que talvez pegue em armas e se morrer na mesma não sentirei muito por morrer em uma vala de sangue, não é como se eu já não devesse ter morrido um século atrás talvez.

Esse grupo em particular de Tártaros veio por ordem do Khan da Crimeia como um acordo feito pelo nosso império com aquele povo, de troca de tecnologias por ajuda, o Paraguai é ajudado pelo poderoso império saxônico e os lusitanos estão com a própria crise para enfrentar estamos praticamente sozinhos nessa batalha onde qualquer um imaginaria uma derrota esmagadora, apesar de tudo ouço que a resistência na fronteira se mostra heroica, aparentemente interessados nessa guerra e temerosos pela mudança do mundo que a ultima grande guerra na Europa trouxe, os Tártaros desejam se adaptar as novas tecnologias mecânicas desenvolvidas em fabricas. Embora mostrem pouco gosto por tais acontecimentos, sabendo da historia dos nativos da America do norte e dos motivos da guerra deles com os colonizadores, vendo também as guerras asiáticas contra os saxões, vêem nisso um espelho deles próprios e que serão superados por essa nova tecnologia, garantir a paz exige armas poderosas e o uso de gigantes, gostando eles ou não.

Os Tártaros são um povo um pouco mais baixo que os Europeus no geral contudo suas técnicas são espantosas, maravilhosas, suas roupas de couro e seda com pequenos adornos de metal são muito resistentes a perfuração a ponto de eu mesmo ter visto que após um ataque de Tapuias os Elfos apenas retiraram as flechas que não perfuraram a seda de suas roupas, sua batalha em cavalos e fora deles é assustadora, rápidos como poucos homens podem ser, seus arcos recurvados como um “meio oito” embora menores que os gigantescos arcos tupis parecem possuir a mesma potencia de perfuração, vi atravessarem o peito de um tapuia com uma flecha certeira, carregam laminas retas ou as vezes recurvadas para dentro de sua própria lamina possuem áreas de corte maiores facilmente decepando membros diferente dos facões e machados que costumo usar, não vi muito de sua magia a não ser uma anciã que conseguia curar os guerreiros, naturalmente não quiseram mostrar-me muito do que são capazes utilizando apenas a força necessária para se defender nessas terras, se lutavam assim antes dos europeus usarem os gigantes para a batalha não é a toa que eram um povo temido e consigo ver facilmente milhares desses homens dominando o mundo por meio da força, não apenas a pericia em combate deles era elevada como a de se encontrar no terreno, de saber ler o vento e a partir dele farejar a chuva e o calor e se preparar para ambos, acostumados aos sertões e serrados como se não tivessem vindo de uma terra de pastos e frio. “Muitas terras já visitamos” foi a resposta recebida a minha pergunta sobre o costume deles nessas regiões.

Embora demonstrem espanto pelos males sobrenaturais dessa terra se surpreendendo por seu numero, reconhecendo que eles existem em todos os cantos do mundo como se o próprio planeta exigisse o absurdo da existência do inexplicável, nunca viram um local povoado a ainda possuir tamanhos assombros e ter alguma luz de civilização. A viagem agora será longa e duvido que conseguirei mais detalhes deles do que já consegui, hora de se concentrar em minhas próprias armas e na guerra que estou indo ao encontro.

Elfo (Tártaro)
Custo: 0 pontos

Tradição Bélica: Guerreiros que jamais se permitem ficar obsoletos, resistentes e fortes os Tártaros procuram adotar e adaptar as novas formas de confronto a seu modo de vida. Personagens Tártaros recebem PdF +1 e R+1.

Sobrevivente Nato: Apreciadores de regiões ermas, distantes de grandes centros urbanos os Tártaros conhecem como poucos os segredos para se sobreviver em regiões hostis. Para eles a pericia sobrevivência custa 1 ponto.

Código de honra dos povos livres: Valorizando a liberdade como uma das maiores virtudes, os Tártaros não aceitam comandos ineptos, forjar alianças, auxiliar amigos e ouvir opiniões é possível e recomendável, mais suas ações serão suas e sempre deve fazer o que lhe parecer correto.

Sanguinários: Considerados bárbaros por vários povos ao longo da historia os Tártaros sofrem com a desvantagem má fama.

sábado, 28 de março de 2020

Trevas na Terra de Santa Cruz


O Bradador

Ainda estou em fortaleza, contudo preparo-me para voltar a estrada pois o que tinha que fazer fora feito e não sou um homem dessa cidade. Pensativo sei que não conseguiria viver aqui como a sombra do passado que sou e pelo fato de que minha presença parece ofender alguns dos homens modernos que aqui vivem. As cidades tornaram-se centros de luz nesse mundo escuro onde aqueles que aqui vivem estão longe de serem expostos a perigos que agora tenderam a ser esquecidos, espero que se tornando homens melhores.

Minha vida foi longa e repleta de aventuras contudo mesmo não estando tão próximo do fim por circunstancias naturais já faz alguns anos que temo por minha alma ou minha próxima vida, como desejar se referir a mesma. Muito do meu temor vem da certeza que a maldade não fica impune nesse mundo, as trevas como um animal faminto espreita as encruzilhadas e as selvas devorando e consumindo todos aqueles que lhe são próximos e dessa predação nem todos são relegados ao descanso frio e insensível no chão envenenado de uma estrada maldita, a esses esquecidos creio que a sina se completou e foi piedosa.

"Depois de morto não há mais tempo para cultivar o bem"


Existem aqueles que não possuem direito ao esquecimento, ao descanso ou a uma cova de indigente sequer e o mundo esta cheio de exemplos, das feras transmorficas que assombram estradas na quaresma ate almas descarnadas que buscam matar os vivos, anos atrás quando meus irmãos ainda viviam me encontrei um desses seres que talvez seja aquele a qual estou destinado a me tornar.

Minha juventude não foi exemplar, embora fosse a vida que eu conhecia na companhia de bandeirantes junto com um sem numero de bastardos, andando ao lado de nossos pais ou senhores aprendíamos lealdade absoluta a eles como guerreiros assumindo nosso papel como seus soldados numa guerra que nunca fizemos questão de compreender, matávamos índios para lhes tomar as terras, capturar e vender como escravos ou para gerar terror na região, bárbaros e poderosos, vivíamos na ponta da faca e ignorantes que éramos não compreendíamos outra vida possível, já homens feitos com nossos senhores tendo morrido ainda vivíamos em nossa vida de bandeirantes, bandidos, saqueadores e assassinos.

Na escuridão de uma das estradas de Diamantina jantávamos nos preparando para dormir quando um dos meus irmãos me avisou de um homem andando sozinho na estrada, era apenas um homem e não parecia estar carregando carga por isso julguei que não valeria o esforço de ir ate o mesmo pois ele não teria o que ser levado, tal foi nossa surpresa quando  o primeiro grito veio agitando os cavalos e acordando os que já estavam adormecidos a reação inicial foi rápida, um dos que acordou chutou barro para a fogueira e a apagou embora o barulho dos cavalos nos fizesse ter certeza que aquela monstruosidade viria ate onde estávamos.

Os segundos que se passaram eram longos e o suor nos descia mordendo a pele na noite, o vento frio balançava as arvores e cada grito era maior que o outro, antes do terceiro grito todos estávamos erguidos e de armas em punho, éramos 10 mestiços, armados e aguerridos, éramos 10 bandidos perigosos e que já mataram muitas pessoas e nada disso parecia importar ali.

Minhas mãos estavam geladas ainda que apertassem as armas, meu coração batia forte como se saltado para a garganta, o suor passava por meu rosto quase pingando em meus olhos enquanto ouvíamos o monstro se aproximar, seus passos quebrando galhos e esmagando plantas pequenas, claro que vinha ate nos com o barulho dos cavalos ficando cada vez pior e os gritos, eles ainda me assombram a noite, uma mistura terrível de raiva e dor, após o quarto grito tornaram-se tão altos que senti vontade de largar as armas e me encolher tampando meus tímpanos contudo estava decidido a morrer com armas em punho. Um dos meus irmãos foi mais pragmático e cortou os laços que seguravam os animais, em tropel nervoso os cavalos se perderam na mata e com o barulho das montarias fugindo o monstro disparou em seu encontro, seguindo a presa errada e nos ignorando.

Pela manha já longe do ponto onde encontramos o monstro estávamos sendo recebidos por uma mulher em sua pequena casa de beira de estrada que não parecia nos temer por saber talvez que ela pouco tinha e nada do interesse de ninguém. Lhe perguntei da existência deu um louco na estrada, esperando uma resposta mundana para o que presenciamos, lhe contei o que se passou e ela me contou a historia do feitor de uma fazenda de cana que morreu após uma revolta dos escravos do local que aconteceu enquanto ela era ainda pequena, sua mãe lhe contou que o feitor, homem monstruoso que era, foi barrado de entrar no paraíso e o inferno não lhe recebeu, por fim a terra lhe rejeitou e o mesmo persiste como monstro desmorto a assombrar as paragens agarrando-se em arvores e gritando nas estradas, após deixarmos diamantina me juntei a uma escola de jesuítas para mudar minha vida contudo mesmo hoje sei o destino que me espera quando finalmente morrer.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Trevas na Terra de Santa Cruz


Matinta Perera

Ainda em Fortaleza, terminei de verificar as armas dos gigantes comprados assim como sua estrutura, como era de se esperar os Lusitanos nos proporcionaram armas incríveis que serão de bom uso agora que existe uma possibilidade real tanto de uma revolução no sul quanto de invasão de outras províncias contra nosso país, mesmo um ataque dos Francos não parece uma realidade tão distante visto que ainda que Napoleão tenha caído o sentimento de conquista ainda parece permear os governantes daquele povo, no momento que a recém formada republica polonesa consiga resistir aos avanços deles para nos deixarem livres desse lado do mundo.

Embora acostumado a dormir em locais mais espartanos e comer ração de viagem ou carne na ponta da faca em uma fogueira, poderia me acostumar com quartos com camas macias e comida quente trazida à porta, ah sim poderia, infelizmente homens como eu nunca são bem vindos tempo o suficiente entre os ricos ou mesmo nas cidades mais civilizadas nessa terra, que o futuro mude isso mais por enquanto o conforto dessa noite faz meu cérebro viajar e posso pegar a pena e escrever algumas lembranças sem precisar me preocupar com os arredores, oportunidade que não pode ser desperdiçada.

Se a memória não me falha isso aconteceu a quase 80 anos, era mais jovem, mais corajoso e mais idiota naquele tempo, reconhecia o perigo e os monstros que assolam o mundo mais acreditava que poderia enfrentá-los com minha força e valentia, olhando para traz acredito que devo me considerar com sorte por não ter morrido, andava em Castanhal, um povoado que começou poucas décadas antes de eu chegar, em parte porque tinha esperanças de achar um local para ficar, Castanhal era falado por ser um local onde os nativos viviam juntos dos negros e dos brancos, tal possibilidade era atrativa.

A viagem tinha sido difícil embora tenha ido junto com colonizadores Cearenses em grande quantidade, a viagem final a barco levou a vida de alguns e o povoado cravado na selva tinha problemas severos com segurança e com um monstro que eu resolvi que iria matar embora todos estivessem um pouco conformados com a presença da criatura tanto que muitas vezes lhes faziam oferenda para aplacar sua raiva, coisa impensável para mim, o que ela merecia era o ferro de minha faca ou chumbo no cérebro, e com certeza merecia, o problema seria conseguir tal feito.

"Longo é o alcance dela"


O que assolava Castanhal? Matinta Perera, velha como a selva, seu nome era uma flexão do tupi que já começava a ser pouco falado no pais embora muito presente ainda, mati tapererê, algo como alma penada, assombração inquieta, contudo Matinta Perera era um demônio da noite como tantos outros nas selvas do mundo e embora poderosa sangrava como qualquer mortal, recebi ajuda de uma velha índia que se chamava Noemi, conselhos sobre o monstro a ser caçado, penso agora que com meu ar de “cavaleiro paladino” eu devia parecer demasiado tolo e juvenil para a anciã.
Após me contar sobre a criatura, como podia se transformar em uma ave, que era uma bruxa de grandes poderes, resolveu me encontrar no cair da noite na saída do povoado onde poderia me guiar para encontrar o monstro. Andamos em ritmo lento ate perto de um cemitério na floresta apesar de parecer novo pela cerca de pedra não estar tão desgastada o local tinha um ar de velho, talvez índios enterrassem seus mortos ali? Não pareceu relevante perguntar isso.

–Tem certeza que ela vai aparecer? – Perguntava verificando se a espingarda estava carregada, revisando o local onde tinha posto minha faca longa.

–Tenho – Dizia a velha índia – Todos os anos, nessa mesma noite, Matinta Perera vem contar os dedos dos mortos.

–Por que ela conta os dedos dos mortos?

–Por quê? Certa vez conheci um homem que morava dentro da mata e era um pescador, a bruxa entrava em sua casa certas noites para contar as colheres e ele se escondia e mordia um pano para não gritar. A bruxa possui hábitos estranhos, é o tipo de coisa que eu e você não compreendemos.

–Não importa. Isso ira acabar em breve – Dizia me sentando em uma rocha perto do cemitério, um local onde podia ver todos os túmulos e não poderia ser facilmente visto.

–Esqueça isso filho. Volte para o vilarejo comigo – Falou ela com preocupação genuína.

–Fora de cogitação – respondi rapidamente – Ouvi relatos de crianças sumindo no povoado, e andando pela floresta achei ossos. Ossos pequenos.

–As coisas tem sido assim na floresta a mais tempo do que eu possa lembrar, mais tempo do que estou viva, não vai conseguir mudar isso.

–Vou conseguir – Respondi teimosamente.

–Vamos voltar para o vilarejo, por favor – Pedia ela com certa piedade.

–Eu preciso fazer isso – dizia a ela que respirando fundo começou a retornar para dormir com certeza imaginando que pela manha eu seria achado morto.

Ali fiz meu ponto de vigília e esperei, a noite deveria estar na sua metade quando por fim o som de um pássaro bem peculiar me chamou atenção. A pequena coruja da selva pousou num dos túmulos e tomou forma de uma mulher velha com longos cabelos soltos, a mesma se equilibrava em apenas uma perna mais não parecia lhe faltar destreza, a mesma subiu em um galho caído que começou a flutuar a cerca de 1 metro do chão e eu vi que no lugar de um pé humano ela possuía uma garra de ave.

– Podem sair meus queridos, sua avó quer ver vocês – Disse a bruxa, senti primeiro o cheiro pútrido e logo o horror me abateu quando as mãos dos mortos se ergueram do solo. Fiquei longos minutos em choque ao ver aquela cena, enquanto a bruxa contava os dedos dos cadáveres alheia a minha presença.

Logo o transe de medo deixou minha mente, preparando a mira e engatilhando a arma, o barulho deve ter chegado aos ouvidos da bruxa pois ela rapidamente tinha mudado a postura, logo veio o disparo, não tive o tempo que queria para mirar pois tinha notado que ela me perceberá. O disparo não a atingiu, mesmo ela se movendo pouco era como se a bala simplesmente desviasse dela. Abandonei a cautela e sacando a faca corri em sua direção, era maior que ela, esperava ser mais forte, esperava matá-la antes dela ter chance de me lançar alguma magia, talvez se tivesse lançado alguma bravata como “esse é seu fim bruxa” poderia ter sido mais heróico contudo nesse momento apenas gritei avançando contra meu alvo.

O movimento foi rápido, a bruxa tentou mover as mãos, contudo não impediu meu golpe que foi um lampejo na noite e sangue da criatura manchou a lamina, menos do que eu esperava contudo. Apenas um corte em seu rosto, debilitante mais nada mortal, pensei em atacar novamente contudo o grito da bruxa, de dor e raiva, me lançou ao chão. Com o único olho que lhe restava ela me fintou com extremo ódio, mesmo sua aparência de velha frágil me era aterrorizante agora, a coragem tinha me deixado totalmente e lembro de ouvir ela gritar – O que diabos você fez comigo? – com incredulidade e fúria, de ter sequer sido desafiada por alguém, e a cada palavra da frase a terra tremia cuspindo caixões, ossos e lapides no ar me lançando para cima, me fazendo ser atingido por diversos escombros.

Não sei quanto tempo fiquei dormindo, acordei pendurado em uma arvore com muita dor de cabeça e no corpo, cada osso meu tinha uma historia de dor pra contar, então deixei Castanhal, o medo me fez sair da selva rapidamente, medo de uma vingança daquela criatura tanto que nem fiz questão de aparecer em castanhal, devem crer que morri. Anos mais tarde senti um aperto no coração ao saber que uma safra daquele povoado tinha sido perdida por uma enchente e que nos próximos 12 meses que sucederam minha fuga todas as crianças que nasciam eram cegas de um olho.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Trevas na Terra de Santa Cruz


Gigantes de Ferro

Matadores vindos do leste é como chamo os gigantes de ferro, criaturas poderosas usadas para a guerra na Europa, seu poder era tamanho que todos os buscaram mais a forma como usados fez toda a diferença nas guerras napoleônicas, sua forma inovadora de comandar os monstros de modo a superarem as trincheiras, avançando rapidamente pelos campos de batalha com tropas especializadas na retaguarda para cobrir as lacunas deixadas para traz ainda é discutida por entusiastas da estratégia militar, uma coalizão de cinco nações foram necessárias para derrubar um homem,  contudo vamos ao que interessa ou me perderei em divagações históricas.

Um gigante de ferro é um construto mekanico construído com a capacidade de raciocinar através de um núcleo Elemental, não possui alto poder cognitivo sendo apenas capaz de executar comandos simples e tomar decisões lógicas e básicas, mais que o suficiente para funções como  carregar cargas pesadas ou realizar algumas tarefas perigosas em especifico ou mesmo impossíveis para humanos.
Antes construídos unicamente para a guerra, os avanços de Napoleão encheram a Europa com gigantes de modo que o excedente de guerra foi monstruoso, ricos e ate alguns burgueses ascendentes conseguiram comprar e modificar muitos gigantes de modo que agora é comum encontra-los em duas versões, a de guerra e a de trabalho, sendo esses últimos muitas vezes gigantes que tiveram armas inutilizadas, embora alguns celeiros no velho mundo ainda guardem canhões capazes de derrubar muralhas apenas porque não são mais úteis enquanto o seu gigante puxa um arado ou carroça.

O núcleo dos gigantes cria sua inteligência através da captura de uma chama viva do plano Elemental do fogo, uma forma de vida não sapiente da dita dimensão, algo como um animal guardadas as devidas proporções, contudo a chama é insuficiente para energizar o corpo poderoso e complexo da maquina de guerra  de modo que ele se move com a ajuda de motores hidráulicos movidos a carvão.
O esqueleto do gigante, relativamente frágil pois suas articulações são muitas é um dos maiores feitos da engenharia do velho mundo, podendo assumir diversas formas, embora os povos eslavos tenham preferência por gigantes com padrões quadrúpedes por algum motivo os lusitanos apreciam a forma humanóide de suas maquinas de guerra.

Protegido por uma grande blindagem, o chassi do gigante de ferro é mais grosso frontalmente onde espera-se que ele receba o maior castigo sendo mais frágil na parte posterior existindo um local para seu controlador doravante chamado dragão devido a normalmente esse posto militar os usar, embora um gigante possa ser, controlado a distancia as táticas criadas por e usadas contra Napoleão colocavam os controladores nas costas de gigantes criados para isso de modo que os controladores podiam ver em primeira mão o que ocorria na batalha e podiam tomar decisões necessárias para vencer, gigantes melhor armados ou melhor blindados foram derrubados na Europa devido aos dragões de Napoleão usarem de sua pericia e atacarem conforme achavam mais eficaz no caos da batalha onde estavam inseridos onde no caso do outro o controlador muitas vezes mau tinha visão do seu próprio gigante caso algo como uma bomba explodisse.

Outras vantagens que um dragão tinha sobre o uso do gigante por outras doutrinas era que parte da logística era acelerada pelo controlador, caso o gigante ficasse sem munição, caixas de munição preparadas estavam ao alcance do dragão para serem acopladas no carregador do ombro ou cotovelo onde ficava a arma, as modificações feitas para que tudo isso fosse possível tornaram o gigante mais poderoso, melhor protegido para garantir a integridade do dragão, melhor armado uma vez que agora a arma poderia ser usada com sua eficiência total com uma mente humana sempre para tomar decisões e permitiu que divisões de gigantes lutassem longe das linhas aliadas caso necessário visto a grande mobilidade desses batalhões.

Sobre a mobilidade é bom incluir contudo, gigantes de ferro são antigos, embora um novo modelo tenha praticamente feito os restantes sumirem do mapa seu uso como um aríete nos campos de batalha é amplamente documentado contudo sua manutenção e logística é onerosa, água e carvão sendo repostos é apenas parte do problema visto que as vezes levar o gigante para o campo de batalha já seria o suficiente para ele perder toda a sua energia não sendo incomum eles serem transportados de trem ou rebocados  em carroças reforçadas o que no passado os impediu de serem usados pelos bandeirantes embora existissem em algumas capitanias mais ricas em pouca quantidade.

Os focalizadores, magos capazes de canalizar magia através de um conduite esterno são os melhores dragões possíveis, embora não seja regra é normal que os gigantes sejam guardados para esses magos.

A contra doutrina usada para vencer Napoleão ainda criou novas formas de se usar o gigante, novas válvulas de cobre e bronze para aproveitar melhor o movimento de pistão dos motores criaram novas forças e muitos desses novos gigantes, mais leves ou mais pesados, com armas próprias para derrubar em um disparo outro gigante mesmo a longas distancias ou armas feitas para destruir trincheiras e casamatas criaram feras projetadas tendo em vista a função final ao qual seriam utilizados de modo que a substituição de um membro, arma ou mesmo chassi mudaria drasticamente o uso do construto.

O chassi determina a força e a integridade estrutural do gigante como mencionado antes mais também sua agilidade e velocidade, chassis muitos pesados exigem motores e caldeiras maiores para alcançarem impulso satisfatório em batalha o que exige mais carvão de modo que os mais pesados são pouco vistos fora de quartéis e não foram muito comprados pelos burgueses do velho mundo.

Gigante de ferro

Um novo kit para construtos, o gigante de ferro é uma maquina de guerra poderosa como poucas.

Exigências: construto, H0,Inculto,bateria.

Chassi reforçado: O gigante de ferro possui uma armadura grossa e eficaz em deter ataques, sendo bem sucedido em um teste de A o gigante de ferro pode ignorar um ataque critico.

Blindado: Enquanto estiver com um controlador nas costas a armadura do gigante é somada a armadura do controlador no caso de ataques diretos ao controlador.

Queimar carvão: O gigante passa a consumir mais energia contudo seu desempenho na luta melhora. Com o gasto de 5 pms o gigante pode aumentar sua FA e sua FD em +2 durante um numero de rodadas iguais a R do gigante exigindo um novo consumo caso queira manter o bonus.