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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Trevas na Terra de Santa Cruz

Meu Encontro com Lampião e o Diabo

Sentado numa réstia de clareira em meio aquele negrume da noite eu me encontrava vigiando o fogo da fogueira, afiando o facão a medida que a madeira estalava enquanto devorada pelo fogo, num ritmo hipnótico me envolvi de tal forma que não notei o homem que veio a se juntar a mim se aproximando do acampamento, erro que poderia ser mortal acabou sendo relevado pelo destino pois o homem furtivo apenas se sentou perto do fogo, reclamou da noite fria enquanto se aninhava perto das chamas, estava absorto em meus sentidos bestificados diante de tal acontecimento, fora surpreendido afinal, tanto que demorou segundos para perguntar.

- Desculpe viajante mais de onde veio? Porque não lhe vi chegar? - Sem rodeios perguntei e o homem disse.

- Vim de lá - Apontando para a escuridão - Faz de conta que tem luar e que as estrelas não brincam de conversar em voz baixa, vim da trilha que segue por ali na escuridão, escapado da morte que enganei - Completava o homem voltando a se esquentar.

- E como parece a morte? - Perguntei surpreso com o homem que olhava de cima abaixo, não parecia assombração, ficava junto ao fogo, diferente dos fantasmas com quem já falei, sua pele contudo era costurada com amarras estranhas, como que dado ponto por muitos médicos e sobrevivido a muitos cortes.

- A Morte é alta, vive de capa sobre o corpo e carrega uma afiada faca com quem toma nossa alma, a Morte, muito vaidosa como só ela já que é adorada por todos os heróis que existiram foi enganada por mim quando lhe dei uma fita bela de prenda, com palavreado de se conversar com moça bonita lhe amarrei a fita no pescoço e apertei ate que caiu. Então fiz para mim essa pele de seda elástica e sai a correr mundo - respondia, e começava eu a acreditar que era um homem morto a minha frente, alguém que fugiu do sem fim. Medo eu tive embora não me sentisse firme em minha decisão, não sabia se deveria ignorar, continuar a conversa ou tentar enfrentar o morto, poucas vezes eles são confiáveis mais esse não me ergueu ainda a mão de modo que decidi não ser o primeiro a agredir alguém.

- E não tem medo de ser perseguido? - perguntei a assombração com corpo que me respondeu

- Medo não detém meus feitos, e não serei achado cedo e não sem trabalho, aqui nesse lado começa a mata encantada, bem nessa parte, a sombra escondeu as arvores e a lama rouba a força dos passos de todos que andam na noite, sapos beiçudos coaxam enquanto não há movimento, espiando o escuro - analisava a região - mais a frente um fio de agua lambe a lama e arvorezinhas acocoram-se no charco e raízes velhas comem terra.

- Você fala como se já tivesse estado aqui, e de um jeito que eu nunca vi ninguém falar - indagava a figura que me respondeu 

- Porque já passei aqui quando vivo, e já depois de morto, sem corpo eu passei por aqui e vi coisas que olhos de carne não veem, que olhos do vento da noite conseguem notar

No avançar da noite o mal assombro apenas fica maior, os sapos param de cantar e o viajante do além sacava uma faca longa e brilhante a qual tinha escondido, faca essa que me arrepiava ao olhar pois ela parecia brilhar a meus olhos me relembrando todas as vezes que quase morri, cada tiro que sobrevivi, cada vez que por pouco não me estirei no chão, apertei com mais força o facão e de fato alguém chegou com dificuldades mais não foi demorado, um homem de bengala e aura terrível, os sons das aguas e das aves, não apenas dos sapos, todos emudeceram enquanto podia ouvir meu coração na garganta e meus dedos apertando o cabo do facão ate os nós esbranquiçarem.

A Morte Vestida
tão amada pelos Herois
 

- Que maldito terreno, desgraçado Virgulino de todos os lugares que ia se esconder veio pra um local com lama? Queria me evitar é? Sabe que não gosto dessa friagem da madrugada - dizia o homem batendo os sapatos sujos num chão firme, a tensão não diminuía, mesmo quando ele falava com voz macia e aprazível eu sentia dentes arranhando meu pescoço. 

- Desgraçado é você Cão Torto, sim fui para onde você não gosta de vir, mas se acha que foi por medo seu Diabo, digo que essa faca pode muito bem provar seu sangue podre primeiro - os olhares se voltaram para a faca, eu sabia quem era o segundo visitante, o Diabo sorriu com dentes afiados, sacando uma adaga da bengala ele falou

- Então você pegou a faca da Morte Vestida - Ao que era respondido.

- Isso mesmo Coisa Ruim, o Dente da Caçada, enquanto o sol nascer no céu e enquanto o céu cobrir o mar, nada entre eles e debaixo deles pode com esse fio, mais você quer tentar a sorte? - Dizia o morto desafiadoramente.

Um sorriso monstruoso era dado, o ar esquentava e a fogueira começava a queimar com mais força fazendo a mim e ao morto se afastar do fogo, o Diabo ria com sua dentadura afiada - Mas você é homem de bater comigo Virgulino? Mesmo que usando tal talismã, eu ainda sou eu - Ameaçava o Diabo.

- Ainda que sem essa faca eu não iria deixar essa provocação passar em branco Coisa Ruim. Hoje eu vou ver de que cor são tuas tripas e vai voltar pro inferno sabendo, Lampião não pede arrego nem se acovarda diante de ninguém.

Mesmo que eu tentasse não conseguiria correr, o diabo parecia uma onça esperando a covardia e ele me levaria com um golpe nas costas se eu empreendesse fuga, se fosse para morrer morreria de frente para o perigo, uma briga de facas terrível se desenvolveu, talvez a mais feia das brigas de facas, movimentos largos e arremetidas seguidos de estocadas e recuos de todos os lados, mesmo enfrentando dois o Diabo era rápido, a lamina beijava sua carne e voltava quente e fumegante, sua faca não me fazia sangrar pelo contrario queimava minha carne e roubava minha força.

Cortes nos braços e mãos do trio se multiplicavam, poucos golpes na pele do peito protegido por roupa e couro mais as laminas deslizavam pela bruta e improvisada armadura como se não existissem, corte profundo na barriga do Diabo e ele finalmente cai segurando a escuridão que lhe vazava como se fosse sangue, enquanto lutava para manter as trevas dentro da barriga e eu tremia com dor dos cortes no braço, Lampião se aproximava do inimigo como um carrasco - Cabra com esse seu jeitinho, que não gosta de sujeira e agua, não tem vez aqui no sertão do meu padrinho - ele corta a cabeça do Coisa Ruim que caia ainda sorrindo dizendo - Te vejo do outro lado - E o corpo da aparição se misturava as sombras da noite que restava e nas sombras tendo assistido a luta sem que eu notasse uma bela mulher estava observando, pelas historias que eu tinha ouvido aquela feição era de Maria Bonita que sentada na fogueira pergunta com voz de anjo.

- Porque ligar para vingança? Você tá morto Virgulino, aqueles que te mataram vão morrer em alguns anos também, não é o bastante saber que o mundo é assim, que a lei da terra vem para todos? - Sem olhar para a mulher ele responde.

Lampião enfrentando o Diabo

- Não é o bastante, Maria eu vou me atrasar... Nem que eu rode o mundo e depois dele o inferno todo não vou deixar aqueles miseráveis vivos depois do que fizeram conosco - Ao ouvir isso a mulher mudava de forma para uma figura alta de grande manto florido e com uma mascara que parecia o crânio de um cavalo na escuridão, ela se aproximava e tocava o ombro do cangaceiro.

- Então boa sorte - A morte então perde sua forma com os raios da manha, mas não Lampião, que observava suas mãos, vendo sua pele resistindo a luz e com um sorriso ele guardava a faca na roupa.

- Me desculpe homem, a noite foi ruim para você, não era minha intenção acredite, como posso chama-lo? - Me perguntou ele, ao que respondi. 

- Sou Lorenço, fui bandeirante hoje apenas ando por essa terra - E ele diz com um sorriso antes de andar em direção ao amanhecer.

- Vou lembrar de você Lorenço.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Novo Kit

Druida do Alto Sol

Druidas costumam ser figuras quase folclóricas em mesas de RPG, seres vestidos de folhas ou couro, sendo sábios mais vivendo mais como animais do que como os homens que são e não existe algo inerentemente errado com isso, os estereótipos são poderosos por bons motivos, mas também é bom ver outros ângulos, de druidas que veneram a decadência como parte do ciclo natural em posts passados agora druidas que veneram o florescer, o ciclo, deixo vocês com minha ultima ideia o culto do verão, os druidas do alto sol.

O machado encontra a raiz
e isso também é natural

Vivendo em locais rurais e de fronteira, com templos de pedra e rituais escritos em livros e pergaminhos essa ordem se aproxima muito mais de uma ordem religiosa secular do que uma tradição selvagem, mas na verdade estão no meio entre ambas, o culto do verão entende que tudo na natureza existe em ciclos e que o que controla a presa é o predador e vice versa, com as raças inteligentes que saíram do ciclo natural, eles agem como esses controladores para que voltem ao ciclo por ações e que o respeitem, em comunidades menores eles orientam os desmatamentos para que não sejam excessivos, abençoam as colheitas para que em menor região se produza mais e ensinam o respeito a natureza, ensinam que as raças inteligentes não são anomalias mais filhos do mundo natural e devem viver dele e não destrui-lo.

Vistos como hereges por muitas ordens por suas filosofias conciliadoras, eles não protegem homens ou animais, protegem padrões e a ordem, se portam como juízes de queimadas, colheitas e expansão urbana, agem como lideres de rituais sazonais e apontam quando algo é para se preservar e algo é para destruir.

Ordens clássicas de druidas ou mesmo os drunes não os consideram como sacerdotes da natureza e não os chamam para conselhos e encontros nos Dolmens mais isso não parece os afetar assim como não afeta a acusação que lhes faltam dons comuns aos druidas como falar com animais e a transformação numa forma selvagem, mas seu foco em liderança comunitária os faz ser ouvidos com facilidade por aldeões e cidadãos, serem vistos e respeitados quase como se sua presença exigisse isso.

"O que não queima apodrece"

Embora sejam muito mais voltados pra humanidade ate para controlar avanços predatórios, acontece em raros casos, assim como acontece com os druidas (mais frequentemente aos drunes) deles não apenas portarem as sementes do crescimento mais a foice da retribuição, eles apontam as falhas e condenam a ganancia e acumulação indevida, onde são ignorados revoltas explodem, secas persistem e incêndios tomam cidades inteiras.

Novo Kit: Druida do Alto Sol

Exigências: Clericato, magia elemental, H2

Voz do Alto Sol: A presença do druida é imponente, suas palavras são sabias e facilmente entendíveis, assim como um erudito capaz de tocar tanto os mais simples quanto os nobres com a verdade o druida do sol alto não é facilmente ignorável. Recebe um bônus de +3 em testes sociais.

Fogo Ritual: Embora faltem alguns dons dos druidas a ordem do alto sol, eles mostram suas bençãos com o controle do seu elemento guia, magias que causariam destruição generalizada nas mãos deles destroem apenas o que desejam destruir. Suas magias de fogo nunca causam dano colateral, nunca afetando quem o druida não deseja que seja afetado.

Fogo Purificador: Capazes de queimar doenças e cauterizar ferimentos, os druidas do sol alto podem curar usando as chamas que tanto ajudaram as raças inteligentes em sua evolução, magias de cura e purificação que exigem a vantagem magia branca o druida do alto sol é capaz de lançar como se fossem magias elementais de fogo.

Arauto do verão: Pouco afetado pelo calor e pelas chamas, os druidas do verão podem andar em queimadas sem nada sofrer. O druida do alto sol não é afetado por calor extremo como penalidade nem fadiga por climas áridos, gastando 1pm ele se torna imune a fogo natural ou magico por uma rodada.

O Calor do Sol: Concentrando energia magica o druida do alto sol cria chamas mais intensas e quentes que seu poder permite. Gastando 1pm amais na magias usadas com o elemento fogo saíram com efeito máximo sem a necessidade de jogar dados.


Novas Magias

Verão Implacável

Exigências: magia elemental fogo, clericato.

Custo: 1pm ou mais.

Dentro de uma área de dez metros para cada pm gasto, todos começam a ser afetados por um calor sobrenatural, o vento sopra quente mesmo que o sol pareça normal, as armaduras pesam, roupa cola na pele e respirar dói. Todos dentro da área recebem uma penalidade de F e H-1.


Sombra Curta

Exigências: magia elemental fogo, clericato

Custo: 10 pms

em uma área de 30 metros pela duração de uma hora, ilusões se desfazem, mentiras ditas acabam sendo perceptíveis e emboscadas falham, nada consegue se esconder quando a sombra é curta.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Masmorra Bagunçada

 Tojima quer ser um Kamen Rider

Por muito tempo atrasei esse post por mais que estivesse com ímpeto de escreve-lo assim que vi o primeiro episodio de Tojima quer ser um kamen rider, mais se o tivesse feito o texto teria saído diferente, pego pela paixão teria exaltado a historia e sensibilidade sem ver mais capítulos o que poderia se revelar errado, também poderia falar sobre valores que vi no primeiro episodio que não necessariamente se estenderiam para o restante da serie e embora isso fosse verdade não foi isso que segurou minha vontade foram as opiniões de terceiros, a forma como vendiam o anime como o recomendavam, arte incrível, musica envolvente, historia engraçada. Seja isso tudo verdade também falavam sobre a loucura de Tojima e o descreviam como um homem perturbado e poucos o descreviam como alguém em busca da mais nobre das ambições, ser um herói.

Louco como Don Quixote

Assim como a loucura de Don Quixote tanto falada não é falta da razão ou juízo mais inadequação a esse mundo sem valores, assim é a loucura de Tojima onde se recusa a enfrentar outros homens com toda sua força extraordinária, onde ele da lições de moral a adolescentes raivosos com e delinquentes "enfrentem o mal" e isso é visto como tolice e mesmo quando ele vence tantos de maneira quase similar a historias heroicas da antiguidade não havia triunfo na face dele apenas tristeza, pois ali foi uma batalha sem honra e sem razão, Tojima é tomado por tristeza profunda em sua vida a ponto de vender seus tesouros pessoais, brinquedos e produtos que representavam para ele o amor a seu símbolo, pois temia o prospecto deles serem jogados fora caso ele morresse sozinho. Sim parece pouco mais pra quem já esteve em situação parecida ou com alguma similaridade sabe que a sensação é a de arrancar um pedaço de si e sim ele se força a "viver como uma pessoa normal" mais quando a chance de viver o sonho aparece, ainda que possa ser ridicularizado, ainda que possa ser visto como louco ele a agarra. Trilhando seu sonho com paixão, normalmente as lagrimas dos kamen riders significam tristeza de terem de ser violentos e do mundo ser injusto, mas Tojima chora de alegria pois começou a viver seu ideal de enfrentar o mal, pois assim como Quixote desde que enlouqueceu ele enfrentou o mal e tornou o mundo um pouco melhor.

"O Herói não desiste, segue avante"

Pensamentos Finais

Esse texto mau estruturado foi apenas para externalizar pensamentos que tive, sobre significado, sobre como nossa vida é moldada por nossos ideais e nossos herois e kamen rider é o ideal de Tojima, é seu heroi, ideal e heroi que ele deseja ver encarnados, vivos em uma realidade cinica e kamen rider é a luta pela paz, coragem, amor e justiça em contraponto a covardia, maldade e ingratidão. Sim Tojima é louco e sim kamen rider é inalcançável, nenhum homem pode ser como kamen rider mas não é porque nosso exemplo é perfeito, inalcançavel, que devemos deixar de busca-lo e se mais pessoas fossem apenas um pouco loucas como Don Quixote ou como Tojima, o mundo seria bem melhor.