Um é da Caça outro do Caçador
Era de noite e a lua brilhava no céu e um homem resmungava enquanto retirava sua camisa suada e ele a torcia nó após nó reclamando.
- Nunca gostei da caatinga a noite - Falava para si mesmo enquanto jogava a camisa no chão irritado - Mas pelo menos fico sossegado, o povo fala de onça, cobra, de cangaceiro morto andando pelas trilhas então ninguém vem aqui - falava tentando se consolar enquanto agarrava um litro de pinga entornando na goela, recuando após um longo gole pelo ardor da bebida.
Aquele era Leandro, peão da fazenda de Ismael um granjeiro que começava a ter problemas com a manutenção de sua propriedade, Leandro era irritado e odiava o patrão, talvez fizesse algo contra ele aquela noite não fosse a interferência.
A fogueira ao lado de Leandro fazia as sombras do mandacaru dançarem de maneira sinistra o que dificultou o peão de ver o homem. Uma figura tanto sinistra quanto patética que andava sem direção, tropeçando em pedras, ele parecia fascinado olhando para cima, para os lados, para traz como se esperasse ver algo e sorrindo de maneira não natural enquanto seus pés erravam cada passo que dava, vestia roupas pesadas de viajante, desses que vieram de longe mesmo, roupas que Leandro não reconhecia. Apesar do comportamento sinistro do homem Leandro não parecia teme-lo. Talvez por efeito da bebida.
Leandro assobia alto chamando atenção do estranho e jogava a garrafa na direção dele - Vai embora ... se sabe o que é melhor pra você - Ameaçava ele, a garrafa atingia diretamente a cabeça do homem que caia no chão e se erguia poucos segundos depois, mais se erguia como um veado, com poucos trotes já era um cachorro e com mais poucos passos era um homem de novo que se aproximava de Leandro, o rosto do estranho, uma mascara de alegria que mau imitava um homem.
Ele se aproximava como alguém que se aproxima de uma pressa cansada demais para fugir e a mandíbula que era grande demais para uma cabeça humana começava a se mover - Aqui.... porque eu deveria ir embora daqui? - Ele se movia em volta de Leo, como que curioso como aquele homem não fugiu ainda, enquanto andava em volta do alvo os ossos do monstro estalavam, sua pele escorria e voltava ao lugar como se não pudesse se decidir o que era - Eles nunca iram me procurar aqui sabe? ... Nessa terra estranha... Os espíritos são outros, nenhum conhece meu nome, aqui eles cantam cânticos de madeira branca, ninguém conhece as montanhas vermelhas... - ele se voltava para o homem cravando garras no ombro de Leon que gritava de dor recuando para traz , caindo no chão e segurando o ombro que sangrava - Aqui os velhos xamãs nunca me acharam, pensaram que eu morri... Aqui sou livre.
Leon rastejava agora se afastando do homem que parecia se divertir o machucando, as vezes garras cortavam as costas do peão, as vezes chifres perfuravam o corpo dele. O estranho ria, animado com um novo assassinato, animado com o terror , animado com saborear o medo mais do peão não vinha medo, não tinha o doce terror só o sabor salgado da raiva e tudo aconteceu muito rápido, Leon se erguera coberto com o próprio sangue e arrancou o ombro do monstro transmorfo, o estrangeiro agora caia para traz enquanto Leon já não era mais o mesmo, cuspindo um pedaço grande de carne e osso que eram o ombro do primeiro monstro o bêbado de antes parecia ficar mais e mais alto, seu corpo mais e mais negro e deformado com pernas longas demais, braços longos demais, a boca deformada que mau conseguia pronunciar palavras dizia com dificuldade - você devia ter ido embora.
Na manha seguinte quando acharam apenas ossos destruídos e carne estraçalhada por todo o caminho das cabras todo mundo sabia, o lobisomem tinha matado novamente, só ninguém sabia quem ou o que tinha morrido.
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| O monstro que atravessou o mar para fugir daquilo que o caçava esqueceu que todo lugar tem seus próprios monstros |











