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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Trevas na Terra de Santa Cruz

 Os Artefatos da Morte


Em suas andanças para buscar as almas dos caídos a morte não apenas vaga pela terra com sua presença, para facilitar seu serviço ela faz uso de artefatos únicos de grande força e habilidades magicas. Mais de uma vez um ou mais de um desses artefatos apareceram no mundo nas mãos de mortais contudo sempre retornam a sua dona de verdade com o tempo, são ligados a morte e nunca ficam longe dela para sempre, os artefatos da morte são estranhos para alguns mais para aqueles acostumados a escuridão eles se tornam familiares, as vezes vistos de relance em alguns locais , raras vezes presenciados na própria mão da Morte Vestida.

O Dente do Caçador

A faca carregada pela Morte Vestida para dar o golpe final aos homens que se recusam a seguir em frente, o artefato mais conhecido e aquele mais querido pelos homens por seu poder avassalador, nas imensidões da escuridão existem coisas que não podem ser mortas. Não para essa faca, não existe o que aquele fio não mate e não existe quem possa com ele. A arma vorpal por excelência caso o usuário da faca atinja um golpe critico em um adversário esse não tem direito a um teste de armadura para resistir a morte instantânea, ela apenas vem, um golpe bem dado uma morte, contudo a faca tem vontade própria e tenta retornar a sua senhora, a cada morte bem sucedida o Dente do Caçador tenta sumir das mãos do portador e esse precisa fazer um teste de R ou H, caso falhe a arma some para voltar as mãos da Morte Vestida.

A Luz do Ultimo Caminho

Um lampião velho, adornado por símbolo magico e com uma chama que não esquenta e nem parece iluminar bem, contudo se um mortal carregar o lampião ele se torna uma presença que atrai os espíritos, todos atraídos para a chama como insetos para a luz, uma chama fria que faz os mortos ficarem calmos, diante do lampião qualquer morto agressivo se acalma e as almas penadas se tornam mansas, além de alguns conseguirem adivinhar quando alguém vivo esta prestes a morrer pelo tremor das chamas perto da pessoa.

O Pó do Esquecimento

Um saco de cinzas frias e finas, a algibeira carrega um símbolo floral e é feito de retalhos coloridos algo que não diriam ser de posse da morte, as cinzas nunca diminuem e uma vez usadas em alguém, retiram dessa pessoa as memorias das horas de escuridão da noite que ela se encontra e a leva a dormir, um sono profundo e impossível de se acordar ate a manha quando o feitiço é desfeito pela luz, a pessoa dormindo pelo efeito do pó não se lembrará da noite em que foi colocado para dormir, no máximo uma sensação distante, como um sonho dentro de um sonho. Os encantados não podem ser feridos, sob risco de atrair a fúria da Morte Vestida sobre o vilão.

Lembrança do Caído

Um medalhão circular com um símbolo de caveira, tal medalhão possui o poder de invocar a presença de um morto, não revive a alma, apenas traz sua sombra de volta do outro lado e ele pode responder a 3 perguntas, as perguntas precisam ser respondidas com sim ou não e após essas três perguntas a lembrança do caído retornará a Morte Vestida.

Lamina do Limiar

Uma faca estranha, cega e coberta por um pano, lamina muito pequena e com ponta sem gume sendo meio arredondada mais essa lamina destrói mortos, assombrações e criaturas sem vida, a lamina possui o mesmo efeito do dente do caçador contudo apenas para mortos vivos, a lamina sem fio não parece cortar nada que possua vida mais sua lamina inexistente corta almas e monstros vestidos em carne morta com a mesma facilidade.

Velho Remédio

Um amuleto de pedra amarrada em corda simples, o velho remédio é um item estranho, se usado por um enfermo que faz uma oração para sua cura ele é capaz de salvar qualquer um mesmo a beira da morte, não parece existir limites para essa panaceia, qualquer doença, veneno ou maldição é curada pelo item.

Noite sem Luz

Um medalhão com uma lua crescente em sua face, a noite sem luz uma vez colocada em um pescoço faz com que toda luz ao redor empalideça a menos que seja algo magico como a luz do ultimo caminho, a escuridão é ampla e apaga todas as luzes em uma grande área, alguns dizem de 1 KM e nada mundano consegue contesta-la, é tão estranha que mesmo seres capazes de enxergar no escuro não conseguem ver através dessa escuridão.

Ponta da Vigília

Um medalhão composto de uma ponta metálica lisa, a ponta da vigília afasta de maneira sobrenatural as pessoas vivas daquele que esta usando, elas sequer percebem que estão sendo levadas para longe apenas sentem vontade de fazer algo que as afasta da pessoa que usa o medalhão.

Osso da Promessa

Um osso pequeno do tamanho de um dedo, com formato peculiar amarrado em um cordão, o osso da promessa é um dos artefatos da morte mais inusitados pois é um dos que parece possuir efeito pratico apenas para os vivos, se dois mortais jurarem algo sob o osso ele vincula a promessa de modo que aquele que a quebrar morre.

Ecos dos Passos

Um conjunto estranho de badulaques que na verdade faz parte do mesmo item, presos juntos eles revelam caminhos escondidos, passagens secretas, armadilhas de teor mundano ou magico, revela rastros invisíveis, caminhos percorridos mesmo por seres que normalmente não deixam rastros.

Placa do Caçador

Uma placa gasta com um símbolo florido parcialmente apagado, a pequena placa de metal parece indestrutível e possui uma habilidade peculiar, ela parece estar sempre posicionada de modo a salvar seu usuário de algum golpe que por outra razão seria mortal. A placa do caçador anula um único golpe critico contra seu usuário por combate, ou anula o primeiro golpe que o mataria.

Bico da Verdade

Um pequeno crânio de pássaro de uma espécie que não existe, o crânio é quase imperceptível e de aparência muito comum contudo na presença do artefato ninguém na região consegue falar mentiras e respondem a todas as perguntas feitas, contudo toda manha o crânio ameaça sumir e voltar a sua dona a Morte Vestida.

Lagrima do Abismo

Pedra negra afiada amarrada em pequenos cordões, a lagrima do abismo corta ligação dos mortais com o sobrenatural, na presença dessa lamina magias parecem sair erradas e com dificuldade, perto da lagrima do abismo qualquer mago paga o dobro de pms para lançar suas magias.

Circulo da Partida

Um pequeno gasto e sem adornos, a aliança é quase imperceptível não fosse seu brilho fosco de prata velha, contudo uma vez que esse anel é colocado sob o chão de uma construção ele cria um limiar intransponível, nada deixa a construção, nada adentra a construção, mesmo criaturas de cunho sobrenatural são barradas.

Sangue Lacrado

Um frasco de sangue enegrecido que nunca coagula é impossível retirar a tampa do frasco e retirar o sangue, não se sabe ainda o que esse artefato faz se é que faz alguma coisa, poucos foram aqueles que colocaram as mãos no sangue lacrado.

Marca do Julgamento

Um selo cabalístico queimado em um medalhão metálico, o artefato revela as falhas, os pecados e a índole daquele que o vestir.

Olho do Silencio

Um nome estranho para mais um artefato que é uma pedra amarrada em um pingente de corda, contudo parece fazer um par com a noite sem fim, enquanto alguém usar o olho do silencio, por uma grande área de aproximadamente 1km não é possível emitir som, impossibilitando tudo que precisa de fala ou som para acontecer.

O Sino do Fim

Um sino pequeno de metal opaco que não reflete nenhuma luz, o sino em si não faz nenhum barulho parecendo ate um brinquedo quebrado contudo seu efeito é interessante. Todos já sabiam de um dos efeitos do sino, uma vez tocado ele não emite som mais todos ao redor sentem que algo mudou mas ninguém sabe dizer o que é, o sino em si muda as regras do sobrenatural ao seu redor, dando fim a algo prolongado artificialmente como vidas estendidas por magia ou medicina, também encera invocações, rituais e efeitos ativos de magia.



Trevas na Terra de Santa Cruz

Curupira

 

A chuva torrencial havia parado fazia pouco tempo, mas as folhas pingavam ainda de modo que parecia que a agua continuava a cair das nuvens

Folhas pingavam e pingavam lentamente sobre os ombros dos caçadores enquanto avançavam mata adentro, empurrando galhos úmidos e raízes grossas escondidas sob a lama escura. O céu completamente coberto pelas copas das árvores, e o resto da luz do dia chegava ao chão em tons doentes de verde e vermelho.

Augusto liderava o grupo com a espingarda apoiada no ombro. Atrás dele vinham João, Nicanor e o mais novo deles, Davi, que tentava esconder o nervosismo mascando fumo sem parar.

— Eu tô dizendo que ouvi aquilo de novo — murmurou Davi.

Ninguém respondeu imediatamente. Ou quase ninguém, a floresta parecia escutar pois vez ou outra folhas se moviam estranhas ou era o medo do mais inexperiente?

Então Joel riu pelo nariz.

— É bicho, moleque. Macaco, talvez.

— Macaco não assovia — Davi falava olhando por traz dos próprios ombros, inquieto, isso afetava os demais que ouviam a afirmação sem demonstrar mais ela ficava pairando sobre a mente dos mais velhos.

Então um assovio atravessou o breu, longo, fino e muito alto.

Augusto parou abrupto e os outros bateram nele, mas todos escutaram dessa vez.

Nada veio depois. Apenas o vento balançando folhas molhadas e o ruído distante de água correndo entre pedras.

— Tem alguém aqui — disse Davi, sussurrando, inquieto e tremendo.

— Tem sim é coureiro tentando assustar vocês — respondeu Augusto, embora sua voz tivesse endurecido um pouco.

Eles continuaram. O breu avançou cobrindo a mata.

Quando encontraram uma clareira estreita para montar acampamento, o céu já era um teto negro sem estrelas. Joel acendeu o lampião enquanto Nicanor preparava o fogo, foi então notaram, nenhum som, pássaros não cantavam, insetos não estavam os perturbando. Nada.

Augusto lentamente levantou os olhos para as árvores.

— Isso não tá certo.

Um estalo veio da escuridão. Todos viram ao mesmo tempo, um vulto se movia entre os troncos, magra e familiar. Homem e não animal.

Baixo como um menino entrando na adolescência mais algo assustava os quatro, como um instinto de perigo de alguém vendo uma cobra a primeira vez, cada um deles queria correr.

Davi ergueu a lanterna, a luz tremia em sua mão.

É que daqui pra frente vai ser só pra traz.

A luz iluminou um rosto de olhos amarelos e profundos, parecia por um segundo um garoto ate ele sorrir com dentes finos como dentes de felino e o cabelo do curumim se acendia como o sol, seus olhos incendiavam demonstrando odio.

Joel disparou para o garoto, o estampido explodiu pela mata e morreu imediatamente, engolido pela escuridão. O alvo não estava mais lá.

Depois disso, veio o assobio novamente.

Mais perto.

Atrás deles.

Nicanor girou rápido apenas para ser perfurado por um galho afiado em chamas, roupa grossa, ossos, músculos, órgãos e pele. Tudo perfurado com a mesma facilidade. Os olhos de Nicanor iam se apagando vendo o peito perfurado pela lança em chamas como que não acreditando no que via enquanto uma risada seguida de um assovio cortava a mata.

Os três ainda vivos gritavam se afastando do corpo de Nicanor que inflamava como uma fogueira e enquanto o cadáver carbonizava Davi rezava baixinho.

Augusto sentiu o frio subir pelas costas. Aquilo estava errado, o fogo se espalhou rápido demais, Nicanor assim como todos, assim como tudo ao redor estava encharcado.

Os galhos sacudiram violentamente em sequência, como se algo enorme estivesse circulando o acampamento em alta velocidade.

Joel apontava a arma para todos os lados.

— Eu não tô vendo porra nenhuma!... Cadê ele?


A escuridão caiu sobre eles como um pano. E naquele breu mais uma lança em chamas corta a escuridão atingindo a perna de Joel que caia gritando de dor enquanto o menino cantava. 


Eu quero mais...

Quero mais...

Sangue teu...

La vai mais um...

 Que morreu...

Que morreu...


Joel desesperado atirava para todos os lados fazendo Davi e Augusto terem que se abaixar para não serem atingidos no meio do pânico do amigo que antes que pudesse ser socorrido era perfurado mais uma vez no pescoço e era silenciado caindo mole e começando a incendiar como Nicanor antes dele.


La vai mais um...

 Que morreu...

Que morreu...


Davi começou a chorar agarrando os próprios joelhos

— Augusto...

Choramingava o garoto mais Augusto estava em alerta tentando achar a luz do cabelo do pequeno monstro que novamente havia sumido entre as arvores, concentrado, sentindo o coração na garganta e na ponta dos dedos que apertava a arma com força. Tão concentrado que demorou a notar que Davi não chorava mais.

Em terror Augusto correu sem direção, tropeçando em raízes, sentindo galhos cortarem seu rosto. Atrás dele, algo o acompanhava sem pressa.. Sempre na mesma distância, a coisa não precisava correr.


Eu quero mais...

Quero mais...

Sangue teu...


Em meio aos tropeços o caçador caiu por um barranco e dele para um rio caudaloso que o levou para longe rápido, antes de ser engolido pela agua ele ainda viu o fogo brilhar uma ultima vez e podia sentir o ódio direcionado a ele.

Augusto o único sobrevivente viveu ate a velhice contando a quem quisesse ouvir sobre porque todos precisam ter medo do Curupira e seu imenso ódio pelos homens.