Texto da Meia Noite
Mau me lembro de minha avó materna, mau tive tempo de conhece-la, minha avó por parte de mãe morreu muito cedo em decorrência de uma vida dura com trabalho constante desde cedo, difícil para muitos imaginar esses tempos eu diria, metade final do século 19 e já trabalhando, não haviam carros, não havia televisão ou radio.
Dessa época, não tem foto, não tem documentos, a ultima pessoa que viveu ao lado dela aqui em minha rua morreu na pandemia, minha vizinha com quem as vezes eu falava, onde ela sempre tinha perspectivas boas para me dar sobre a melhora do pais, agora ninguém morre de fome, agora ninguém precisa ir no rio carregar baldes de agua pra passar o dia, pra cozinhar, pra beber, ninguém precisa levar latas grandes cheias de agua no lombo de jumentos, na verdade é ate difícil encontrar alguém que possua um jumento aqui próximo, antes era fácil.
Realmente aqui mudou, mudou muito e melhorou muito, se morria de desinteria, se morria de exaustão ate, que ate parecia velhice que te atingia mais antes dos trinta. Hoje não achamos isso, talvez por ter visto tanto, fabricas vindo, as pessoas começando a trabalhar com algo que não as matava lentamente, a vinda do radio, da fotografia, isso que alias, era um evento, poucos possuíam maquinas fotográficas e pagávamos para bater fotos, fazíamos álbuns e juntávamos eles como lembranças, tenho ainda alguns guardados que não possuo mais força pra abrir.
Hoje queremos mais, queremos muito, formulas magicas para melhorar o pais, para termos a vida de alguém do primeiro mundo, para termos a vida que achamos que eles tem, pois não a conhecemos de verdade a não ser em sonhos, devaneios tão errados que achamos que lá fora todos vivem de maneira muito melhor, porque pagam 10% de imposto, porque compram videogame barato, porque o presidente é de direita.
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| Que Morpheus me leve para um local com menos tristezas. |
Mas não existe formula magica, é investir em saúde, ensino, fazer reforma agraria, coisas que não vou entrar em detalhes aqui, não é sobre politica esse texto, se existe um tema é apenas eu escrevendo para noite algumas angustias, como um primo por parte de pai ter simpatizado com o nazismo, talvez ainda o faça, faz anos que não o vejo, convencido que nossa família é holandesa devido a uma tonalidade branca de parte dela incluindo minha avó paterna, ele se achava ariano, ignorando o fato que nosso avô, o pai dele e claro meu pai, são os três homens negros, ideias loucas nascidas de contradições de mundos que imaginamos, imaginamos por posts de redes sociais por mentiras contadas em vídeos, por crenças e esperanças de que poderíamos viver melhor, sem notar que já vivemos. Talvez para minha avó materna tenha sido melhor, sem fotos, sem feed, sem redes sociais, sem se comparar a alguma pessoa que posta uma vida que não vive em algum pais do norte econômico, a tristeza dela era apenas dela, e sua alegria não precisava de curtidas para se sustentar.
Mas é difícil aprender que não dá, difícil aprender o que significa ser humano, tão grande e tão pequeno diante de tudo, nossos limites como humanos nos impedem de fazer com que todos vivam melhor pois parece que para alguns a miséria dos outros é pão, voltamos a sonhar com foguetes e a terra distante, enquanto deveríamos pensar nela mais próximo e se queremos tanto viver melhor, ao invés de esperar milagres, deveríamos nós mesmos agir, já por mim mesmo não sei, mantenho meus sonhos mais eles nunca deram certo, nenhum deles, por nenhum momento, mesmo os mais melancólicos de morrer feliz numa colina, mais mantenho meus sonhos de uma humanidade madura, de voltar a andar em matas brancas mesmo que apenas para andar, de que todos possam compreender a filosofia dos monges e assim como espero que tenha sido para minha avó materna que morreu tão longe de mim, espero que meu ultimo sonho seja feliz.


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