domingo, 8 de fevereiro de 2015

Conto

Estou eu lendo sobre changeling, e tal é meu facinio sobe o cenario que eu estou postando aqui o conto introdutorio, eu espero que gostem =D


Changeling - O Jovem Guerreiro

"Era uma vez em uma terra não muito mágica chamada Suburbia vivia um garoto perfeitamente ordinário chamado Justin. Justin vivia com seu pai e com a segunda mulher de seu pai em uma casa de campo com laterais de alumínio, um gramado com três árvores e uma entrada que o pai de Justin recuperava a cada dois verões. Justin tinha um quarto no fim da casa que tinha duas janelas; ele decorou as paredes com desenhos de dinossauros. A mãe adotiva de Justin desaprovava os dinossauros e disse que as paredes do quarto de Justin deveriam ser apenas brancas, mas o pai de Justin deixou ele ficar com os dinossauros. Era melhor assim, disse o pai de Justin, do que tentar manter as paredes brancas, então um dia voltar para casa do trabalho e descobrir que Justin cobriu as paredes com desenhos de dragões e guerreiros. Pelo menos era o que Justin dizia que eles eram. Verdade seja dita, eles pareciam mais manchas verdes e vermelhas, ou talvez pasta muito agressiva, mas para Justin, eles eram dragões. E dragões, como beleza e mágica, vivem nos olhos do observador.

A mãe de Justin morreu quando Justin ainda era muito pequeno. Seu pai, cujo nome era Jake, se casou novamente quando Justin era apenas um pouco maior, e Justin mal pode se lembrar de sua mãe. Sua madastra, cujo nome era Leah, não parecia gostar muito dele, e algumas vezes Justin podia ouvi-la brigando com seu pai. Nessas noites, Justin fechava a porta de seu quarto e colocava seu travesseiro sobre sua cabeça, fingindo não ouvir e desejando que estivesse em outro lugar. Ocasionalmente ele desejava estar na terra de seus dragões desenhados, mas a maioria do tempo ele só desejava estar em outro lugar.

Havia outro pequeno garoto que vivia no quarteirão de Justin, e seu nome era Devin. Devin e Justin eram muito amigos, o que era engraçado porque eles eram opostos completos de várias maneiras. Justin era alto e desajeitado, com cabelo loiro e olhos azuis, enquanto Devin era pequeno e rápido, e tinha pele escura e cabelo preto. Justin e Devin faziam tudo juntos; eles corriam de triciclo, cavavam buracos no jardim, exploravam os mistérios de Além da Esquina, desenhavam e assistiam desenhos — tudo. Justin algumas vezes tinha a sensação que sua madrasta não gostava muito dele ser amigo de Devin, mas ele não ligava.

Assim foi a Devin que Justin contou quando ele começou a ver coisas pela primeira vez — flashes de asas de borboletas e rostos curiosos olhando de traz das árvores. Devin contou a Justin que ele via essas coisas também, e as estava vendo a algum tempo. Depois disso, sempre que um visse uma forma mágica, ele iria rir e apontar para o outro. Isso se tornou mais um segredo para ambos dividirem. "Mas," Devin disse, "você não pode contar a seus pais sobre isso, ou algo ruim irá acontecer."

"O que eles podem fazer?" perguntou Justin.

"Eu não sei," disse Devin, "Mas eu posso dizer que isso seria mau." E ele foi para casa abanando a cabeça, pois ele já sabia que Justin não seria capaz de guardar o segredo.





Com certeza, Justin esqueceu o aviso de Devin e contou a seu pai sobre o que ele havia visto. No segundo que ele fez isso, Justin notou que havia cometido um erro. Mais tarde naquela noite, ele escutou seu pai e Leah conversando. Eles usaram palavras que ele não entendia, como "terapia" e "internato." Leah as usava muito, ele notou.

No dia seguinte, o pai de Justin lhe contou que ele poderia estar indo para uma nova escola, longe. Justin perguntou se Devin estaria indo com ele, mas seu pai disse que não. "Isso será uma aventura só para você," ele disse.

E assim Justin foi para a escola longe. As visões de estranhas coisas mágicas, apesar — elas não desapareceram. Ele via mais e mais delas a cada dia. Ele sonhava acordado por um momento, e repentinamente sua professora tinha dois metros e meio de altura e era azul — com chifres! Ou, tarde da noite, depois de todas as luzes terem sido apagadas e ele ter sido posto na cama, Justin podia ouvir as estranhas vozes dos Monstros de Baixo da Cama em conversação secreta.

Justin aprendeu por experiência. Dessa vez ele não contou a ninguém o que ele via.

Então, um dia no pátio do lado de fora, Justin viu algo incrível e terrível. Conforme ele brincava com as outras crianças, ele ouviu passadas fantasmagóricas altas como trovões. Finalmente, ele não podia ignorar mais. Ele olhou para cima, e ali ele viu todos os seus sonhos e pesadelos se tornarem realidade — um dragão! Ele era verde e dourado, e onde a luz do sol se refletia em suas escamas era tão claro que era como uma faca para os olhos. Seu pescoço era longo e fino, suas garras grandes e afiadas, e seu rugido alto o suficiente para convocar uma chuva dos céus.

Justin achou que era o único a ver o dragão, mas sua professora o viu também. Sra. Lombard correu para onde o dragão estava, e conforme ela corria Justin viu que sua professora usava armadura e segurava uma grande espada que era tão reluzente que brilhava. Nenhuma das outras crianças viu, mas Justin observou Sra. Lombard (que era azul, claro — Justin não esperava menos) lutava com o dragão. Atacava e contra-atacava, desafiava e ecoava — Justin observava tudo com fascinação.


Sra. Lombard ganhou a batalha, e o dragão se virou para correr. Sangrando de vários cortes, ele se virou para ela um pouco antes de desaparecer e falou três palavras. "Eu vou retornar," ele disse, e então desapareceu no milharal por traz dos campos de futebol distantes. Sra. Lombard embainhou sua espada, então voltou para seu trabalho. Ela pareceu muito surpresa quando Justin veio para ela e falou, "Eu não sabia que dragões podiam falar."


Mais tarde naquela noite, quando todos estavam dormindo, Justin se sentou em sua cama. Ele sabia que era importante estar acordado, da mesma maneira que Devin soube tanto tempo atras que dividir seus segredos de alguma maneira seria tolo. Silenciosamente ele se vestiu e esperou a porta se abrir.

Ele teve que esperara apenas alguns minutos. Sra. Lombard veio até ele, bela e fria em sua armadura. Ela não estava surpresa em ver Justin esperando por ela, e ele não estava surpreso em notar que sua pele era da mesma cor do céu. "Venha comigo," ela disse, e ele obedeceu. No corredor outros dois, vestidos como Sra. Lombard estavam esperando, também com armaduras e sem sorrir. Eles tomaram posição na frente e atras de Justin, e se recusaram a falar uma só palavra. De alguma forma ele sabia que o homem que marchava em sua frente era o Sr. Simms, o zelador, e a mulher atras dele era Sra. Loveless, que professora de ginástica feminina. E mesmo apesar de ninguém dizer uma palavra ou mesmo olhar agradavelmente para ele, Justin podia sentir uma alegria secreta borbulhando nos três que o escoltavam.

Eles o guiaram para fora do prédio na noite, e globos de fogo voadores apareceram para iluminar seu caminho. Através do campo principal eles caminharam, através dos campos de futebol e através do campo de milho. Finalmente, eles chegaram a um lugar que Justin nunca tinha visto antes, onde risadas e música anunciavam sua chegada.

No fim da floresta estava a coisa mais maravilhosa e mais terrível que Justin podia imaginar. Sentado em um trono de vidro que brilhava como se tivesse aprisionado milhares de estrelas estava o homem mais bonito que Justin já vira. Os cabelos do homem eram negros e delicado, e sua face era fina e pálida. Ele usava armadura negra e dourada, e uma espada nua fina como um sussurro estava sobre seu colo. Em sua testa o homem usava uma auréola de ouro, adornada com uma única pedra verde.

Ao redor do trono dançarinos rodopiavam, homens e mulheres graciosos como o homem com a auréola. Em um círculo mais externo giravam outros dançarinos, mas dançarinos como nenhum que Justin já tenha visto. Homens com feições de animais dançavam com mulheres elegantes de pele escura, enquanto músicos faziam sons que poderiam chamar as próprias árvores para dançar. Magros e tristonhos estranhos com roupas rasgadas porem elegantes valsavam enquanto vinho era bebido e música era cantada. Lanternas brilhantes estavam penduradas em cada galho de árvore, e a própria grama parecia brilhar como prata pura.

Os dançarinos abriram caminho para Justin e sua escolta, apesar da musica nunca diminuir. Para a base do trono os quatro caminharam, e o homem que sentava nele os saudou. "Prazer," ele disse, "e boas vindas para você e sua encarregada, Anneke."

"Eu rezo para que ele possa ser sempre bem vindo aqui, Duque Hamish, pois eu acho que a dele é uma antiga alma, uma que tem grandeza," a mulher guerreira respondeu.

"Nós iremos ver o que o futuro aguarda para ele, Anneke," disse o duque. "Mas há algo mais importante."

"Sua graça?"

"Eu soube de fontes seguras," disse o duque, acenando com a cabeça para um par com rosto pálido e roupas flutuantes que estavam dançando a alguns paços de distância, "que você enfrentou e derrotou sozinha um dragão quimérico de algum poder hoje — e que você o fez sem a ajuda de nenhum cantrip ou encanto, mas apenas com a força da lâmina e do braço. Isso," ele disse, levantando-se, "é um feito de grandeza! Para honrar você, e seu feito, Anneke, eu declaro que essa noite seja uma noite de festividades! Que todos que estão aqui banhem você com elogios e presentes, pois você os merece. E com orgulho do lugar que é meu, eu dou a você o primeiro presente dessa noite. Pagens!"

De trás do trono vieram dois jovens, magros e imperiosos como seu mestre. Eles traziam em seus braços um grande escudo que brilhava como prata, e tinha as formas de muitos animais sobre ele. Os pagens trouxeram o escudo até Anneke, que o pegou deles. Eles se curvaram, e desapareceram novamente nas sombras.

"Esse escudo foi tomado de um campeão troll durante a Guerra do Acordo, Anneke, e ele tem feitiços e encantos tecidos firmemente ao seu redor. Você mereceu o seu retorno a seu povo, e o conhecimento de seus poderes. De todas as imagens de animais que dançam em seu escudo, você pode escolher uma essa noite da qual você será protegia. Eu garanto a você escolher qualquer uma, menos o dragão, pois você mostrou que você não necessita de mágica para derrotar um dessa espécie," o duque declarou.

"Eu lhe agradeço, meu duque," disse a mulher que Justin um dia conheceu como Sra. Lombard. Ela se ajoelhou então, e obedeceu o homem no trono brilhante, então se levantou e se afastou. Os outros se afastaram com ela, e repentinamente era apenas Justin e o homem que usava a coroa.

"E você, meu jovem guerreiro," disse o homem muito suavemente, "você já sabe seu nome? Seria uma coisa muito boa se você já soubesse."

E repentinamente Justin soube — soube que ele trazia um nome uma vez e novamente, em muitas peles e em muitas vidas. Os detalhes desses outros dias eram uma mancha de sangue e céu azul, de aço retinindo e vido quebrando, mas eles eram reais, ele soube de alguma maneira.

Mais ainda, ele soube que nessas vidas passadas, ele era chamado de "Ulf," que significa "o lobo" em muitas terras e muitas línguas, e que uma vez, era um nome para ser temido.

"Eu conheço meu nome, Sua Graça," disse Justin. "E eu posso estar a seu serviço, se você me quiser."

"Palavras corajosas, garoto. Diga-me seu nome, e eu irei considerar."

"Ulf, Sua Graça."

O homem no trono ficou em silêncio por um minuto. "Ulf," ele disse suavemente. "Bem, então, Ulf, se você quiser me servir, diga essas palavras: Eu juro lealdade para com você, Duque Hamish Starguided. Seu comando é meu desejo e seu pedido meu desejo. Possa meu serviço sempre agradar, e que minha visão escureça se não. Como as marés para a lua, minha vontade para vós, meu senhor."

E assim Ulf fez o Juramento da Fidelidade, e se tornou uma parte da corte do Duque Hamish. Então Duque Hamish fez o Juramento da Obrigação Nobre para Ulf, e o aceitou como um súdito, e ali começou a verdadeira jornada de Justin nas terras das fadas.

Foi mais tarde no mesmo ano que problemas vieram para Justin. Ele tinha passou seus dias na escola, aprendendo o que a Sra. Lombard ensinava a ele sobre ler e escrever e aritmética. Ele passou suas noites aprendendo o que Anneke podia ensina-lo, e isso (quanto a ele, pelo menos) era muito mais divertido.

Ela o instruiu ao uso da espada e do escudo, até que sua habilidade foi elogiada por ninguém mais que o próprio Duque Hamish. Ela o ensinou as regras da corte e os costumes das fadas, e ele aprendeu muito do que ela não lhe contava também. Ele aprendeu as pequenas mágicas chamadas cantrips, e os usava de modo a tornar sua fatigante escola em um lugar muito mais interessante e mágico. E ele aprendeu sobre honra, e o que isso pode custar a ele.

Justin — ou Ulf — era um pupilo muito apto, e nunca teve que ser ensinado algo duas vezes.

Ocasionalmente, Justin ia para casa em um feriado, mas ele percebeu mais e mais que a escola era seu lar, e a casa em que ele viveu era apenas o lugar onde seu pai morava. A escola era muito mais mágica nesses dias, e Justin preferia muito mais quando seu pai ia visita-lo lá. Sua madastra, claro, nunca veio visita-lo.

A primeira vez que Justin foi para casa, ele tentou se encontrar com Devin, mas estranhos agora viviam no lugar onde a família de Devin uma vez morou. Justin perguntou a seu pai o que aconteceu, e o pai de Justin disse que eles se mudaram. Justin perguntou se eles deixaram um endereço para que ele pudesse escrever para Devin, mas o pai de Justin disse que eles não deixaram. E assim, Justin se convenceu que ele havia perdido seu melhor amigo. Quando ele retornou para a escola, ele contou aos Kithain que ele conhecia da corte sobre o que aconteceu — Melinda a sluagh, e Desmond o satyr, e Sir Reginald o cavaleiro pooka, que tinha as feições de um esquilo. Eles todos disseram que isso parecia uma busca em formação, e que eles tinham certeza que não demoraria muito para que Ulf achasse uma razão para procurar seu amigo. Duque Hamish, por outro lado, afirmou que mágicas maiores estavam se aproximando, e recusou o pedido de Ulf para fazer uma cruzada de busca ao bom companheiro de seus dias de caixa de areia.

Ulf até mesmo tentou pedir ajuda a Anneke na busca, mas ela se recusou. "Você fez um juramento," ela o lembrou, e sua face ficou envergonhada. "Seria uma desgraça para todos de sua raça se você abandonasse seu juramento para procurar seu amigo. Alem disso, o mundo é grande; você ainda é pequeno. Você ainda não está preparado para os perigos que ele contem."

"Mas você poderia vir comigo," disse Ulf.

"E o que," respondeu Anneke com um olhar de censura, "diria seu pai sobre isso?"

E com essa repreensão ressoando em suas orelhas, a mágica fugiu de Ulf, escorrendo em pequenos jorros de Glamour por todo o chão. Ele foi para a cama naquela noite apenas o triste pequeno Justin uma vez mais.

Não foi muito depois disso, todavia, que um tap-tap veio a janela de Justin uma noite. Todos os outros garotos estavam dormindo, assim Justin não ousou ascender a luz para ver o que estava fazendo as batidas. Ele se virou, e na janela havia uma criatura de encantamento — uma quimera, como Anneke havia lhe ensinado. Tinha grandes olhos redondos, e dedos oblíquos com pontas de sucção que lhe permitia se segurar no vidro da janela de Justin. Seu corpo era pequeno e cinza, e coberto com pelugem suave. Em sua cintura ele usava um cinto, e no cinto havia um bolso que estava inchado, sem dúvida escondendo um tesouro dentro.

Quando ela viu a face de Justin, a criatura fez gestos frenéticos para que ele abrisse a janela. Ulf (pois ele notou que havia assumido seu lado fada enquanto observava a criatura fascinante) o fez, e foi recompensado com um suave "ker-thump" quando a criatura caiu nos arbustos abaixo. Todavia, ela logo escalou novamente até a janela, onde ela se curvou muito cortesmente.

"Eu tenho a honra," ela disse em uma voz que alguém pode imaginar que esquilos tenham, "de me dirigir a um certo Justin, amigo de um Devin?"

"Tem," Disse Ulf.

"Ah, então eu trago grande coisas para você! Primeiro, eu trago notícias que seu amigo está vivo e bem, apesar de a muitas milhas da terra onde você uma vez o conheceu. Ele deixou palavras de seu destino com a rainha do lugar onde você uma vez morou, mas através de suas artes poderosas descobriu que ela escondeu em segredo sua missiva."

Ulf concordou, ele tinha suspeitado de sua madastra.

"Mas isso não é tudo que eu trago! Ceeker é meu nome, pois eu fui tecido de sonhos e dos pequenos barulhos da noite. Eu também trago para você dois presentes de Devin, se você os quiser."

"Eu os quero, Ceeker, apesar de temer não lhe ter nada a oferecer em retorno."

"Não," e os olhos da quimera cresceram ainda mais, "nem nozes? Ah, bem, isso não é mais do que a fantasia de um momento. O primeiro presente que eu lhe trago é o de profecia. Devin deseja que você saiba que você e ele irão se encontrar novamente, e não se incomodar com nenhuma notícia que você escute sobre ele nos dias que virão. Ele previu o futuro, e sabe que essas coisas são verdade.

"O segundo presente que eu tenho para você, todavia, é algo mais tangível." E com isso, a quimera procurou em seu bolso e puxou um anel de prata. O anel estava polido, e uma ametista morava no topo em uma moldura parecendo as garras de um dragão. "Devin disse que você pode precisar disso," disse Ceeker em um tom mais sóbrio. Silenciosamente, Ulf pegou o anel e o colocou em seu dedo. A pedra começou a brilhar suavemente; o brilho era mais intenso quando Ulf apontou sua mão na direção do nascente.

"Obrigado, Ceeker. Se você vir Devin antes de mim, diga que eu sinto sua falta."

"Ah, eu certamente direi, certamente direi," disse a quimera, com um salto, uma cambalhota e nenhum movimento nas folhas, a criatura tinha se ido.

Justin fechou a janela e foi dormir. Na manha ele acordou para descobrir que tinha um anel de cola e arame em seu dedo. Sabiamente, ele decidiu contra tira-lo. Sra. Lombard olhou estranhamente para ele durante a aula, mas não disse nada. Ela era uma troll, apesar de tudo, e sabia o valor do silêncio.

Mais tarde nesse mesmo dia, Justin recebeu uma ligação de emergência de seu pai. Ele estava muito chateado, e não queria alarmar Justin, mas precisava contar a ele notícias muito más: os pais de Devin ligaram porque seu filho tinha fugido. Eles estavam esperando que Devin achasse seu caminho de volta até a antiga vizinhança, e se ele o fizesse, o pai de Justin ficaria com ele até que eles pudessem vir busca-lo. O pai de Justin disse para ele não se preocupar, e que tudo acabaria bem.

"Eu não estou preocupado," disse Justin e desligou.

Falar sobre o desaparecimento de Devin era a fofoca da corte por vários dias. Foi dito por Isidore Webbery, a outra sluagh que os visitava ocasionalmente, que Devin deveria ser um changeling, possivelmente um contador de histórias eshu. Os outros encheram as orelhas de Ulf com simpatias e palavras de apoio. Duque Hamish, claro, meramente ofereceu sugestões de maneiras nas quais Ulf poderia executar suas tarefas mis eficientemente.

Mas a conversa sobre Devin sumiu a quarta noite, quando notícias vieram que um dragão quimérico estava mais uma vez solto na terra. Sussurros corriam como adagas: a criatura queria vingança por alguma afronta imaginária; a criatura nasceu dos sonhos do Duque Hamish; era a criatura que destruiu Caer Dhomnaill e todos que moravam lá!

Mas Duque Hamish não prestava atenção em rumores, ou talvez ele soubesse precisamente a quais prestar atenção. Ele convocou os serviços de um de seus cavaleiros que já havia derrotado um dragão desse tipo, e colocou uma geas nela para destruir o dragão para que ele não mais incomodasse as fadas. Anneke, quando foi informada de sua geas, meramente acenou com a cabeça, então se retirou para sua casa para afiar sua lâmina quimérica. O dragão, ela tinha certeza, iria acha-la logo.

Ele realmente veio a passar. No dia seguinte depois do fim da aula, Justin ouviu o rugido familiar nos campos e viu e imensa cabeça do dragão, atravessando as ondas de milho como a proa de um navio Viking antigo. A besta gritou um desafio como trovão vindo dos céus, e esperou por uma resposta.

Anneke se aproximou para responder ao desafio logo, com a espada em uma mão e o escudo na outra. Ela andou até onde o dragão estava e ordenou que ele se retirasse para um lugar onde não incomodasse mais nem humanos nem fadas nunca mais. O dragão apenas riu, todavia, e a atacou com uma garra cruel. Anneke esquivou-se do golpe facilmente, e insultou o monstro enquanto o fazia. "É o melhor que você pode fazer, minhoca?" ela gritou. "Eu tenho um estudante que só tem sete verões; ele poderia ter evitado isso!" Então ela levantou sua espada e atacou o ventre do dragão; apenas por recuar como uma serpente fugindo do fogo a besta evitou a morte certa.

Então a batalha ficou séria, com Ulf observando com horror e fascinação. Ele desejava descer para o campo e ajudar Anneke, lhe dar um aliado, ou, pelo menos, uma distração que poderia lhe permitir acertar um golpe fatal. Mas ele sabia que suas habilidades ainda não estavam prontas para tal desafio. Alem do mais, tinha sido a geas de Anneke lutar contra essa besta, não a dele. Se ele interferisse, ela não ficaria satisfeita.

Com jatos de fogo e brilho de prata, a batalha continuou por uma hora inteira. As chamas e garras do dragão não encontravam seu alvo e o dragão sempre conseguiu ficar fora do alcance da lâmina brilhante da mulher troll. Para frente a para trás através do campo de futebol e da plantação de milho o conflito continuou, até que o desastre atacou. Retrocedendo até um caminho de terra onde ela previamente cortou o dragão com golpes poderosos, a mulher troll escorregou. Antes que ela pudesse levantar, o dragão colocou uma de suas garras sobre ela e a pressionou para baixo com todo seu terrível peso.

"E então, pequena valquíria," o dragão murmurou, "termina." Com isso, ele abaixou sua cabeça e pegou Anneke com suas terríveis presas. O presente do duque, encantado contra outras criaturas, amassou como uma lata vazia, e a armadura da mulher dobrou-se também. Ulf não agüentava ver, então ele se virou.

Ele não podia, todavia, bloquear os sons da destruição de sua professora — o barulho de metal, o som afiado de ossos quebrando. Ela gritou, uma vez, antes do fim, então o dragão levou-a para o chão e a deixou lá, murmurando uma canção conhecida apenas pelos dragões.

Antes da besta ter saído do campo, Ulf se arremessou colina abaixo para o lado de sua professora. Correndo aterrorizado, ele a alcançou antes de qualquer um de seus colegas notarem que ele tinha partido.

Sra. Lombard estava estendida ali deitada sobre alguns pés de milho. Seu vestido estava enlameado, e um de seus sapatos ortopédicos estava faltando, deixando seus dedos na terra. Ela parecia confusa, ao invés de ferida, e nem sangue nem armadura estavam em nenhum lugar. "Porque, Justin," ela disse quando o viu, "o que nós estamos fazendo aqui? Eu devo ter caído. Venha," e ela se levantou da terra, limpando seus joelhos conforme se erguia, "vamos voltar para onde os outros estão brincando. Não é bom estar aqui longe de todos."

Justin deixou ela o levar de volta para onde as outras crianças estavam brincando, e até conseguiu se juntar a seus jogos por algum tempo.

Essa noite, antes de poder dormir, Justin chorou por um longo tempo. Ulf chorou por muito mais.

Na manha seguinte, Justin acordou com uma resolução nova e mortal. Ele encontraria a criatura que tinha feito tal mal a sua amiga e professora, e ele o mataria. Era apropriado que ele tomasse o manto de sua professora, não é?

Sua resolução não foi nem abalada quando na aula, Sra. Lombard pediu para que ele tirasse o anel bobo que ele estava usando. Ele se recusou e ela agiu confusamente, mas não insistiu.

Essa noite, Ulf foi até o duque para pedir liberdade para perseguir o dragão que havia derrotado Anneke. O duque ouviu o pedido de Ulf, então balançou a cabeça.

"Há muitas razões pelas quais eu não posso garantir isso, Ulf. Eu já perdi um de meus melhores cavaleiros; eu não quero perder os seus serviços também. Você não está preparado para enfrentar a besta, nem um pouco. Então há o problema de onde a besta mora. Ela se foi agora, foi-se novamente. Mesmo na derrota Anneke cumpriu sua geas — o dragão se foi, não é? Eu não posso aprovar você invadindo as terras de outro. Glamour, a substância de sonho que nutre a alma das fadas, é preciosa e rara. Outros lordes e damas podem não considerar agradável a presença de um guerreiro corajoso," e ele disse isso com um sorriso superior, "como você invadindo seus domínios. Não, Ulf, eu não posso deixar você procurar esse dragão. Sirva, e fique contente com isso."

"Então eu posso lhe fazer uma pergunta, meu duque, antes de retornar a meus deveres?"

O duque abanou sua mão magnanimamente. "Eu lhe garanto esse prêmio. Pergunte."

"Porque você proibiu Anneke de tomar a proteção contra os dragões?"

Um murmúrio correu a corte. O sorriso do Duque Hamish desapareceu como a última folha de uma árvore no outono. "Ela derrotou o dragão uma vez; ela parecia não precisar de tais proteções. Assim é o jeito das coisas entre nós, changeling! Você faz perguntas acima de sua posição!"

Mas Ulf apenas balançou a cabeça. "Eu acho que nós dois sabemos a resposta verdadeira para essa pergunta, Sua Graça. Um juramento foi quebrado essa noite. Foi agradável a seu serviço. Eu não acho que iremos nos encontrar novamente."

E ante os rostos da multidão estupefata, Ulf marchou para fora daquele lugar, olhos brilhando com lágrimas. Pois ele sabia que seu mestre havia traído sua professora, e que o seu caminho era o de vingança e de tristeza.

Da corte Ulf retornou para o lugar onde Anneke caiu. Lá, no chão, pedaços de seu escudo quebrado ainda brilhavam levemente. Guiado apenas pela luz das estrelas, Ulf procurou até encontrar o que procurava: um fragmento do escudo que trazia a imagem de um dragão. Ele guardou o metal amassado, então ele levantou a mão que trazia o anel de Devin. Lentamente ele girou em um círculo, e o fogo da pedra no anel brilhou com mais força quando Ulf se virou para o leste. E assim, com um coração pesado e poucos suprimentos, Ulf caminhou firmemente para o leste. Sabendo que esse dia iria chegar, ele havia preparado alguma comida e água para a jornada, mas ele sabia que suas rações não durariam muito tempo. Sucesso teria que vir logo, ou senão haveria perigos muito piores que dragões para enfrentar.

Mas foi dragões que Ulf enfrentou, ou pelo menos um. Pois com três dias de caminhada entre ele e a corte do duque, Ulf se encontrou face a face com o dragão. Foi em uma estrada, e muitos transeuntes riram do pequeno garoto que se balançava e esquivava entre os carros estacionados, mergulhando e rolando como um acrobata ou um louco. Claro, eles não podiam ver o dragão, nem podiam ver a verdadeira face de Ulf. Eles simplesmente viam um garoto pequeno fazendo um jogo perigoso.

Mas Ulf via a face do dragão, e ele o via. Pior, de algum modo ele conhecia-o pelo que ele era. "Você tem o cheiro daquela mulher troll que eu matei em você, fedelho!" o dragão rugiu. "O senhor dela irá enviar bebês de fralda da próxima vez?" E com isso ele expirou fogo que engolfou Ulf completamente. Ele queimava como o sol, como sal em uma ferida aberta, como nada que Ulf havia sentido antes. Ele queimou e queimou, e queimando, o consumiu. Mesmo quando Ulf caiu, coberto em fogo, o dragão riu e se virou.

Um passante viu o estranho garoto gritar e cair, batendo em si mesmo como em agonia. Com muita preocupação, o homem levantou Justin da rua e o levou para dentro de uma loja próxima. Ele verificou nos bolsos de Justin e achou lá a carteira do garoto, e dentro da carteira achou o endereço e o telefone do pai de Justin. Com preocupação maior (pois o endereço na carteira era a muitas ruas de distância), o homem chamou o pai de Justin.

Foi a madrasta de Justin que atendeu o telefone, mas foi o pai de Justin que correu em seu encontro o mais rápido que pode. Ele embrulhou Justin em seus braços, agradeceu profundamente o homem que tomou conta dele, e levou Justin de volta para a casa que ele um dia conheceu.

Mas ninguém mais viu o dragão ir, e ninguém teve a consciência de tirar o anel de arame e cola do dedo de Justin.

Foi vários dias depois, e Justin estava deitado acordado na cama ouvindo seu pai e Leah discutindo. Leah estava completamente a favor de manda-lo de volta para a escola imediatamente, enquanto o pai de Justin queria mante-lo em casa. Era óbvio, ele disse, que a escola não podia tomar conta da maneira correta do garoto. Dessa vez eles tiveram sorte e Justin não tinha sofrido muito dano. E se houvesse uma próxima vez?

"bem, então," disse Leah, "talvez nós devêssemos procurar um tipo diferente de escola." E com isso, houve silêncio na casa.

Justin franziu as sobrancelhas. Ele sabia que não podia retornar para as terras do Duque Hamish; esse caminho estava fechado para ele agora. Nem ele queria ficar lá pois, apesar de amar seu pai, a mera presença de sua madrasta afastava seu lado sonhador. Era como se mesmo a sua voz fosse o vento frio do outono que avisava da vinda do inverno para sua alma. Ulf parecia muito pequeno e longínquo sempre que Leah falava.

Mas essa terceira escolha, esse novo tipo de escola que sua madrasta ameaçou tão vagamente — parecia cheio de significado também. Encurralado de todos os lados, Justin fechou seus olhos e tentou dormir.

Repentinamente, seu quarto estava vivo com uma luz purpura brilhante. Era a pedra de seu anel, dançando com fogo e brilho que ele nunca, jamais havia visto antes! Todo o quarto estava iluminado como o dia com o brilho da pedra, e Justin olhou para ela com admiração. Ele estava seguindo o brilho para achar Devin, o que significava que se ele estava brilhando tanto agora, Devin deveria estar — Houve uma batida na janela. Animadamente, Justin saiu de suas cobertas para abri-la. Lá, vestido com roupas de uma era já passada, estava Devin. Seus olhos pareciam guardar mais sabedoria do que nunca, mas ele estava sorrindo com pura alegria em ver seu amigo uma vez mais.

"Entre, entre!" e Justin o puxou para dentro. "Me conte tudo!"

E Devin o fez. Sentado de pernas cruzadas na cama, ele contou a Justin como sua família se mudou, e como suas estranhas visões continuaram. Então, uma noite um tio seu, um homem que nem ele nem seus pais haviam visto por anos, reapareceu em sua porta. Os pais de Devin, naturalmente, se excitaram com seu retorno, mas Devin estava ainda mais excitado.

Seu tio, você pode notar, era um dos eshu, os contadores de lendas ambulantes das fadas. Com alguma mágica ou encanto ele pressentiu que seu sobrinho, a muito esquecido Devin, também continha uma alma eshu, e com isso tinha se aventurado em longas estradas para acha-lo. E esse tio, cujo nome Devin nunca revelou, os visitou muitas vezes durante os meses seguintes, ensinando Devin (ou Ismail, como ele era conhecido entre as fadas) os caminhos dos eshu.

Foi quando esse tio misterioso levou Ismail para seu Saining — sua iniciação formal nos caminhos do mundo changeling — que os pais de Devin acharam que ele tinha fugido. Ele retornou, mas de algum modo seus pais acharam que seu tio era a raiz do "problema" e barraram o homem de sua casa.

E então Devin fez a única coisa lógica — ele fugiu de verdade.

"Mas," ele disse quando sua história tinha terminado, "há outras coisas se aproximando. Uma traição para ser vingada. Um dragão para ser derrotado. Honra para ser sustentada. Eu tenho ouvido todas essas coisas, Ulf — seu conto ecoa mais alto do que você imagina. Então, que estrada você tomara daqui?"

Justin olhou para seu amigo com olhos tristes. "Eu não sei. Anneke se foi, e não há lugar para mim com o duque mais. Eu não sou forte o suficiente para lutar contra o dragão também."

"Não é forte o suficiente sozinho," corrigiu seu amigo.

Esperança apareceu nos olhos de Justin. "Isso significa que você virá comigo?"

"Você duvidava disso?"

Justin riu em pura felicidade. "Eu esperava, mas oh, isso é tão maravilhoso!" E os dois changelings começaram a rir tão alto que balançou as vigas da casa do pai de Justin.

"Você poderia fazer menos barulho, Justin? Alguns de nós precisam dormir!" veio a voz de trovão de Leah. Então com quietude e cortesia exagerada, os dois garotos ajudaram um ao outro pela janela, pela calha, através do jardim até o grande mundo a procura de um dragão.

Na manha seguinte, quanto eles acordaram e descobriram que Justin havia partido e a janela estava aberta, Leah e o pai de Justin tiveram outra briga. Mas isso não é realmente parte de nossa história.

Conforme eles viajavam nos dias seguintes, Ismail contou a Ulf tudo que ele aprendeu de seu tio sobre a arte de matar dragões quiméricos. Houveram muitas criaturas nos anais das fadas, e a maioria foi despachada da maneira usual: colocando-se dezenas de cavaleiros de armadura no campo contra ela. Matadores de dragões solo eram mais raros, mas não totalmente desconhecidos. Esses guerreiros normalmente tinham espadas mágicas, escudos, elmos e muito mais, que não estavam a disposição de Ulf ou Ismail. Mais ainda, na menção de escudos mágicos, Ulf gritou ferozmente com seu amigo, e assim Ismail deixou o assunto em paz. O eshu podia se lembrar de uma ou duas histórias de heróis que confundiram dragões para se devorarem, mas como o jovem troll sempre tivera problemas em descobrir porque exatamente a galinha cruzou a rua, ambos concordaram que essa não era uma opção.

"Mas porque você não confunde o dragão?" perguntou Ulf. "Você é bom nisso."

"Sim, mas é a sua cruzada, Ulf," respondeu Ismail pela milésima vez. "Eu já tive a minha, achei minha própria mágica, ganhei meu próprio nome. Agora é tempo para você fazer o mesmo. Eu posso lhe ajudar, sim, mas a mão que derrotar o dragão tem que ser a sua."

E com isso, Ulf caia em um silêncio mau humorado. "Não é justo," ele falava com freqüência, e Ismail abanava a cabeça concordando.

Foi apenas de sete dias de viagem, esquivando-se de policiais amigáveis e quimeras nem tanto, encontrando as fadas ocasionais ou humano sonhador, deliciando-se com barras de chocolate roubadas e as doces fantasias dos mortais, que os dois fugitivos acharam a trilha do dragão. Uma imensa marca de queimado no centro de um parque marcava um ponto onde o dragão havia passado a noite. Ulf era a favor de avançar contra o monstro imediatamente, mas Ismail tinha outras idéias. "Vamos passar a noite aqui," ele aconselhou, "dormindo onde ele dormiu. Talvez nós possamos pegar algo de seus sonhos. Fazendo isso, nós podemos aprender suas fraquezas."

Então os dois se deitaram para a noite no fedor de dragão quimérico e fecharam seus olhos. Quase imediatamente, Ulf começou a sonhar sonhos de dragão. Eles eram sonhos de dor e fogo, banhado de ouro e partido em pedaços por aço. Mais de um sonho mostrou Anneke, ali triunfante, ali derrotada. Mas uma face aparecia em todos os sonhos — a face sem sorriso do Duque Hamish. A luz de seus olhos eram frias nesses sonhos, mais frias que gelo, e Ulf provou o medo do dragão.

Ismail, de sua própria parte, clamou não ter sonhado nada, mas olhou estranhamente para seu amigo todo o dia.

Assim os dois continuaram sua jornada, que durou muitos dias mais. Eventualmente, Ulf notou que o continente estava se tornando familiar. Logo as colinas e estradas se resolveram na terra ao redor da escola onde tanto havia acontecido, aparentemente tanto tempo atrás.

Ulf comentou tal fato, e Ismail respondeu, "Ele está voltando para casa. Essa é a terceira vez que ele faz isso, você sabe — terceiras vezes são sempre finais." Ulf perguntou a ele como ele sabia tais coisas, mas Ismail apenas deu de ombros e disse que era mágica.

Foi nessa noite que eles acharam o dragão, finalmente, no campo onde Anneke havia caído. Ele estava deitado, seu grande peso estendido no pedaço de terra onde a cavaleira troll caiu, roncando com pequenos jatos de fogo enquanto dormia um sono preocupado. Ele era grande! Da cabeça ao rabo o dragão devia ter uns trinta metros, e Ulf desanimou-se de conseguir derrota-lo. Então Ismail cutucou-o. "Eu estou com você. O espírito de Anneke está com você. Essa façanha é sua, e você deve faze-la com tal glória que eu lhe juro, as canções que eu irei cantar sobre essa noite vão ecoar por cem anos. Vá!"

E com o encorajamento de seu amigo ecoando em suas orelhas, Ulf desembainhou a espada quimérica que ele havia carregado com ele durante todas as suas jornadas e cutucou o dragão bem no nariz. Apenas uma gota de sangue negro jorrou para fora do corte, e o dragão ergueu sua cabeça com um terrível rugido. "QUEM OUSA?" o monstro chamou aos céus, então ele olhou para baixo e viu Ulf. "Então você retornou, criança troll, retornou para provar a morte! Bem, eu devo ser misericordioso essa noite; a sua será menos dolorosa do que a da sua professora!" Então, como uma serpente dando o bote a grande cabeça escamada avançou, mandíbula aberta, diretamente para onde estava Ulf.

Mas, Ulf estava preparado para essa batalha de seu próprio modo; ele havia visto os sonhos do dragão e testemunhou suas batalhas, então ele estava preparado. Assim conforme a grande mandíbula veio para baixo, Ulf rolou para a direita e ficou em pé; sua espada acertou a bochecha do dragão enquanto a cabeça da criatura passava. O dragão urrou novamente, então a batalha começou.

Ah, mas que briga foi! A despeito do bom senso, a despeito da razão, a despeito até da mágica, Ulf era capaz de aparar cada golpe que a serpente dava, e dava mais do que tomava. Não demorou muito para Ulf notar que sua batalha estava sendo observada: Isidore e Melinda, e Desmond, e Sir Reginald, e todos os outros membros da corte do Duque Hamish. O próprio duque veio por último e ficou só, sua espada fina como chicote desembainhada e brilhando na luz do fogo do dragão. Mas de Ismail, não havia nenhum sinal.

Então veio o momento pelo qual o dragão estava esperando. Ulf tinha tolamente pressionado um ataque até que ele ficou no mesmo lugar em que Anneke havia caído, e, como ela, ele também escorregou. A platéia prendeu a respiração em terror; o dragão rugiu em triunfo e preparou para abaixar uma garra fatal.

E precisamente nesse momento, Ismail puxou de seu bolso um pino de aço que ele mantinha para tais ocasiões, e atacou a cauda do dragão.

O grito que se seguiu teria derrubado casas, se alguma fosse capaz de ouvi-lo. Esquecido por um eterno segundo estava Ulf, e ele tomou tal oportunidade para levantar-se. Todavia, conforme ele o fazia, Ulf sentiu algo afiado pressionando em suas costas: o pacote do escudo de Anneke. Foi quando e apenas ali que ele se lembrou o que ele carregava consigo, e soltando sua espada, ele puxou o fragmento do escudo de seu embrulho. Quando o dragão recuperou seu raciocínio e inclinou-se novamente para devora-lo, Ulf gritou uma maldição em todos os dragões e seus criadores, e arremessou o metal quebrado na boca da besta.

Os efeitos foram tanto imediatos quanto profundos. Com um grito como milhares de dedos em milhares de quadros negros, o dragão caiu pesadamente na terra. Ele ficou lá em sua agonia final, conforme Ulf e Ismail escalaram para a segurança

mas o que era mais interessante, pelo menos para Ismail, era que no momento que Ulf pronunciou sua maldição, o duque jogou sua espada no chão e foi embora, nunca pare ser visto novamente por fada ou mortal. E nas celebrações que seguiram o triunfo de Ulf e Ismail, nenhuma fada sentiu a falta do duque, nem qualquer um comentou o fato.

E se alguém ouvir o conto que Ismail fez essa noite, cantado por eshu e sussurrado por sluagh uma vez e novamente através dos anos, você ouvirá outras coisas: que Isidore Webbery contou para Ulf que o escudo fatal havia sido dele em outra vida, tomado no campo de batalha pela traição de Hamish; que a lâmina do duque, agora negra das chamas do dragão, ainda descansa no lado do morro em que Hamish a jogou, e que ninguém foi capaz de retira-la dali; que Ulf fez para si armadura de escamas de dragão que nenhuma chama ou lâmina pode penetrar; e muitas outras coisas.

Mas a parte da história que Ismail não conta é que quando as façanha de matar dragões e banir traidores estava feita, Ulf se voltou para seu amigo e na voz ainda pequena de Justin disse, "Devin, vamos para casa.""

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