segunda-feira, 2 de julho de 2018

O Mestre Da Masmorra

RPG e Segregação Feminina

A minha infância foi a muito tempo atrás, se você acredita que o mundo hoje é machista, bom senhores, vocês não tem a minima ideia, eu ouvi disparates na minha infância como, mulheres não podem sair de casa depois das 6 horas porque é perigoso para elas,mulheres não devem usar o tênis, não devem usar calça, não devem dirigir, não devem ir a certos locais que são "de homens" e em alguns casos mais bizarros, não podem ter amigos homens isso seria incompatível, quase uma aberração. Ja o meio nerd, o meio nerd senhoras e senhores diferente do que vocês pregam hoje, era e ainda acho que ele é um dos meios mais inclusivos que existe, o meio nerd no qual eu cresci era os dos fãs de jornada das estrelas, fãs de Transformers, de he-man e shera, para os que apontam o dedo para essas series e falam sobre falta de representatividade, eram tempos diferentes, muito diferentes, só o fato de Uruha de star trek ter aquele papel importante que teve ja era uma quebra de paradigma.

"Se você considera isso armadura masculina e divide proteção por sexo, você tem problemas"


Aos que ficaram e não correram do paragrafo anterior com receio de ouvir um bando de baboseiras bizarras e "feministas" isso não é um discurso feminista, desde de que eu ouvi de uma conhecida sobre o que ela achava do termo "homem feminista" eu deixei de falar com essa pessoa e nunca mais me considerei feminista como fazia nos anos 90, igualitário poderia ser um termo melhor, sendo assim como eu me vejo, posto os rótulos nos seus lugares por mais idiota que isso seja, o RPG é extremamente LGBTfobico, o ultimo texto que joguei no meu blog gerou analises que eu não pude acreditar no que lia, tanto de um lado da moeda quanto o outro (sim senhoras misândricas, sua hora vai chegar) comentários que me fizeram lembrar de coisas que eu passei em mesas, joguei e narrei, não estou me isentando, muito do que eu criticarei ja foi usado por mim ostensivamente, por ser mais fácil, por ser um estereotipo, por ser algo esperado ou porque os jogadores esperam que seja feito, acaba sendo um problema maior do que o que parece, afasta jogadoras do RPG e não é para menos, se as maltratamos tanto, toxidade essa que afeta não apenas as mulheres, mais os homens também.

Muitas vezes os mestres são adeptos de dar XP por talento de interpretação e batalha, quando tem uma jogadora na mesa e ela ganha mais xp que os outros devido a essa politica do mestre que em meu caso eu acho um pouco problemática, por estimular competição num jogo que a cooperação deveria ser o ponto forte, logo a jogadora é mau vista pelo outros jogadores, dizem que ela é a namorada do mestre ou coisa pior, ou comentários com relação ao mestre ser escravo de rabo de saia.

O caso da jogadora ser sobrecarregada com a interpretação de diversos personagens diferentes por ela ser mulher e se torna meio que uma segunda narradora da campanha ainda que ela não tenha vontade, talento ou agrado pela posição de narrador, porque homens não podem interpretar mulheres, isso gera piadinhas que eu mesmo tive que passar sobre minha sexualidade, piadinhas essas que as vezes são inofensivas, as vezes se tornam ofensas pesadas.

Personagens de jogadoras se tornando alvos sexuais da aventura. O destino de um personagem jogador que perde em combate contra bandidos normalmente é a morte, contudo já vi acontecer de personagens de jogadoras serem estupradas por monstros em mesas com uma riqueza de detalhes que não era nem relevante com o tema da mesa, nem com a faixa etária da mesma, não estou cagando regra, não digo que isso não possa acontecer em rpg, contudo é importante que os jogadores saibam o limite do gore na mesa em que estão jogando, para não ficarem desconfortáveis ou enraivecidos pelo fato do narrador os ter surpreendido com tal acontecimento.

"Uma cena assim pode ser bem interessante e dramática, para o grupo certo e narrada de maneira certa"


E por fim o que eu mais vi acontecendo, mulheres não faziam personagens que mudavam o cenário de jogo, muitas vezes os jogadores fazem personagens que se tornam lendas em suas mesas, eu posso contar nos dedos de uma mão uma garota que chegou a fazer um pj assim, tanto pelo fato de que era constantemente subestimada por ser garota, tanto que o mestre não dava valor a seus atos ou a própria jogadora em si, pensem por si mesmos, quantos jogadores fizeram personagens que se tornaram lendas em suas mesas? você mesmo pode ser um deles, quantas jogadoras então? posso estar sendo parcial, mais relembrando aos malucos de dedos em chamas para falar que eu estou tornando muito amplo uma experiencia que é só minha, em meu blog, eu falo por mim, não posso falar por ninguém mais nem assim o desejo, e sim as experiencias que citei acima são minhas e ponto.

Ainda acho que o meio nerd é um dos mais inclusivos que existe, mais o RPG precisa mudar, nos RPGistas somos machistas demais, nos anos 2000 na época em que eu mais comprava dragão brasil sempre havia na seção de procura-se jogador da revista, cartas com "procura-se jogadora para ..." mais também sempre havia relatos de jogadoras que eram destratadas pelos seus narradores ou pelo grupo inteiro, chegou a haver um movimento organizado disso o MMM, para os novos demais para terem visto, o movimento machão medieval, que chegou a pregar a morte de sistemas tidos como "de mulherzinha" para dizer o minimo e incitava como mulheres não deveriam jogar rpg, e sim serem bonitos acessórios da mesa.

O ponto em que eu quis chegar nesse texto? Deixar uma ideia para reflexão, e um conselho, tratem os outros não importa quem sejam, como você espera ser tratado, não coloque sua crença, sua idealização de mundo ou sua visão filosófica antes de sua empatia, os criadores de cenário antigos e mesmo os novos já afastam as garotas o suficiente para precisarem da ajuda dos narradores e jogadores.

Um comentário:

  1. Eu particularmente acho que o povo hoje em dia problematiza tudo e viajam muito nos discursos ideológicos a ponto de se perderem no fanatismo exacerbado. O que sempre existiu foi a boa e velha "guerra dos sexos". Homens hostilizando mulheres e mulheres hostilizando homens.

    Sobre a cena de estupro, isso tá mais pra coisa de marginal tarado e não machismo. Machismo clássico era aquela besteira de "isso é coisa de homem, aquilo e coisa de mulher, homem deve ser assim, mulher deve ser assado, etc".

    Mas, gostei da reflexão. Acho que gente legal e gente idiota tem em todo lugar, o meio nerd não é diferente.

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