quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Era dos Dragões

Velho é o que eu sou

A batalha contra o demônio se estendeu por demais, nenhum dos meus golpes fazia frente ao corpo duro do monstro de ferro e fogo que eu enfrentava, minha espada por diversas vezes atingiu as fendas da armadura do monstro que sangrava fogo e sombra, urrava como um animal furioso com os ferimentos mais nunca sua vontade diminuía, muito menos minha fúria teria diminuído, mais não sou um grande herói como eram os elfos do passado, minha lamina é cega na frente de grandes guerreiros e a escuridão se abateu sobre nos enquanto lutávamos, a nevoa sorrateiramente nos encobriu e nos vimos em um local onde o chão era enlameado e sem firmeza, onde as arvores estavam distantes e os montes próximos e nunca se chegava a ver o céu.

A batalha já pesava sobre meus ombros, meu corpo já gritava de dor assim como meus golpes ficavam cada vez mais pesados, acreditei que fosse meu fim mais algo saltou da escuridão, mau pude ver o que era, corpo grande como dois elfos, chifres longos sobre a cabeça, cabelo escuro onde estava enrolado plantas, cipós e outros tipos de coisas, já tinha visto druidas eles nunca eram tão selvagens mesmo quando usavam a fome das feras contra seus inimigos, o elmo do demônio tombou no chão em um baque vazio na água rasa e me vi com medo, já tinha visto as feras de Morgul mais aquilo era diferente, dando passos rápidos para traz e apontando a espada a minha frente eu dizia com falsa coragem - Venha fera... não serei eu a cair aqui - e para minha surpresa a resposta veio - abaixe a espada ... ninguém mais cai hoje



Consegui uma pedra para me sentar, não sabia se sairia vivo da nevoa, a minha frente ainda resguardado pelas sombras e pela distancia eu via o ser, mesmo andando sobre os quatro membros eu sabia que ele podia andar como homem, seu corpo era semelhante também a de um elfo, suas mãos eram garras e seu olhar era penetrante como uma flecha, capaz de falar tanto quanto a mais eloquente das pessoas, o medo me abandonou , se fosse para eu morrer já teria morrido, o monstro a minha frente dobrou o ferro dos demônios com as mãos, meus ossos não seriam nada para ele mais algo me afastava da criatura, era como se ele não me quisesse perto e eu entendia isso sem ter ouvido nenhuma censura ate agora, após esses longos minutos eu enchia o pulmão de ar e perguntava - O que é você ?


Demorou para o monstro me responder, a pergunta o tinha feito vislumbrar coisas de um passado distante, antes de qualquer um que esta vivo hoje existir, quando o mundo era mais vasto e podíamos ouvir a canção das estrelas a cada noite, o monstro olhava alem da nevoa talvez, alem da floresta e sua voz soava a mim como de uma grande distancia - velho é o que eu sou, eu já estava aqui antes dos rios, antes das arvores, antes dos elfos serem moldados e dos ancestrais dos anões despertarem, eu corri por essas matas antes das feras, fiz trilhas antes dos homens e vi o povo pequeno chegar as colinas, eu estava aqui antes dos reis, dos túmulos e das criaturas tumulares, quando os filhos de Oberon fugiram para o sul eu já estava, conheci o escuro sobre as estrelas antes de existir o medo, antes do senhor do escuro fazer cair as portas do caos sob seu martelo - não tinha como eu compreender aquela criatura a minha frente, tão intrincada como qualquer dos monstros de Morgul ele se mostrava mais não havia uma palavra em nossa língua para descreve-lo adequadamente, a medida que a nevoa ia recuando e eu vislumbrei o caminho para sair, e então deveria aproveita-lo pois a nevoa é inconstante, ouvi o ser falar - conte o que viu, o que ouviu, diga que não sou o único, que existem mais como eu ainda na terra - com a nevoa então ele recuou.

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